Terça-feira, Maio 14, 2013
Terça-feira, Fevereiro 26, 2013
Segunda-feira, Fevereiro 11, 2013
Sexta-feira, Dezembro 28, 2012
Liberdade
Nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Acreditar no amor ou acreditar que alguém deixará de nos passar a perna para se satisfazer egoisticamente sempre que surja uma oportunidade, a não ser que haja qualquer coisa de muito forte a que chamam amor, é uma ilusão, que quanto mais tempo se levar a desacreditar, mais prejuízo trará. Tempus fugit. Alcançar a liberdade urge, quando nos sentimos traídos e abandonados pela pessoa em quem depositámos o nosso amor. Abdicar da fantasia ingénua de uma felicidade falsa para alcançar a fria, dura e verdadeira libertação não é uma penitência nem um previlégio, é uma necessidade tão básica como qualquer outra, sempre que amamos e não nos sentimos amados.
Quarta-feira, Agosto 29, 2012
Impasse
A minha vida é um grande impasse. Sinto-me como um náufrago encalhado, numa ilha deserta, no meio do oceano. Sem esperança nenhuma de voltar a avistar civilização. E toda a gente se esqueceu de me vir procurar, ou sequer, deu pela minha falta.
E depois, aqui sozinho, farto-me de pensar e de lamentar o meu destino, que já não tem emenda. O tempo passou, a juventude foge entre os dedos, os cabelos brancos aparecem, e esse grande amor que iria salvar a minha vida e dar sentido a tudo isto, nunca se efectivou. A esperança no amor, que era a minha principal fonte de sobrevivência, secou.
No final, a minha vida foi um enorme caos, em todos os sentidos, gerida da pior forma possível. Tal como uma empresa que abriu falência e despediu toda a gente, assim fui eu afastando todos. Acabei sozinho, mais sozinho e mais desesperançado do que alguma vez me atrevi a imaginar poder acabar.
No final, a minha vida foi um enorme caos, em todos os sentidos, gerida da pior forma possível. Tal como uma empresa que abriu falência e despediu toda a gente, assim fui eu afastando todos. Acabei sozinho, mais sozinho e mais desesperançado do que alguma vez me atrevi a imaginar poder acabar.
O facto é que deixei escapar as raras mulheres por quem me apaixonei, e até hoje vivo arrependido por não ter feito nada em devido tempo. Por consequência, perdi-me a mim próprio, perdi o meu futuro e perdi a capacidade de amar.
A minha auto-estima era, nessa altura, muito abaixo de zero, vai daí, pensava sempre que elas não gostavam de mim, ou que gostavam de outro. O meu mecanismo de escape, se achava que tinha denunciado de alguma forma os meus sentimentos não correspondidos, era imediatamente tratá-las mal, ou levá-las a pensar que eu as odiava, ou então levá-las a pensar que gostava de outra. Tudo menos deixá-las saber, ou admitir, que estava profundamente apaixonado por elas. Só me senti a amar assim alguém menos de meia dúzia de vezes em toda a minha vida. Assim, ao ponto de sentir que tinha encontrado uma mulher de quem gostava verdadeiramente, e com quem facilmente me imaginava a passar o resto da minha vida. Mas tudo correu da pior maneira possível, todas elas ficaram a pensar que eu não sentia nada por elas ou que gostava de outras, ou que era um idiota que se atirava a todas (o que era intencional, usava a superficialidade para elas não perceberem a minha fragilidade), e estas mecanismos de defesa, que acabavam por ser um sucesso para o meu frágil ego da altura, foram a causa da minha derrota. Nem todas por minha culpa, mas no final, quando as perdia irremediavelmente, chorava-me, durante anos, lamentando a minha falta de sorte e o destino fatal que havia tomado a minha vida, um eterno luto do que poderia ter sido. E pelo meio, ia escrevendo este blog, para exorcizar a minha dor.
Enquanto me ficava a lamentar e a viver este luto, e porque queria ser livre para me poder foder e emborrachar à vontade, ia perdendo as poucas mulheres por quem voltei a sentir paixão, que foram muito poucas, e que eu ia perdendo, porque não lhes dava o devido valor. Depois, nas poucas vezes em que me tentava reconciliar com o passado e aceitar viver o presente, era rejeitado.
A minha auto-estima era, nessa altura, muito abaixo de zero, vai daí, pensava sempre que elas não gostavam de mim, ou que gostavam de outro. O meu mecanismo de escape, se achava que tinha denunciado de alguma forma os meus sentimentos não correspondidos, era imediatamente tratá-las mal, ou levá-las a pensar que eu as odiava, ou então levá-las a pensar que gostava de outra. Tudo menos deixá-las saber, ou admitir, que estava profundamente apaixonado por elas. Só me senti a amar assim alguém menos de meia dúzia de vezes em toda a minha vida. Assim, ao ponto de sentir que tinha encontrado uma mulher de quem gostava verdadeiramente, e com quem facilmente me imaginava a passar o resto da minha vida. Mas tudo correu da pior maneira possível, todas elas ficaram a pensar que eu não sentia nada por elas ou que gostava de outras, ou que era um idiota que se atirava a todas (o que era intencional, usava a superficialidade para elas não perceberem a minha fragilidade), e estas mecanismos de defesa, que acabavam por ser um sucesso para o meu frágil ego da altura, foram a causa da minha derrota. Nem todas por minha culpa, mas no final, quando as perdia irremediavelmente, chorava-me, durante anos, lamentando a minha falta de sorte e o destino fatal que havia tomado a minha vida, um eterno luto do que poderia ter sido. E pelo meio, ia escrevendo este blog, para exorcizar a minha dor.
Enquanto me ficava a lamentar e a viver este luto, e porque queria ser livre para me poder foder e emborrachar à vontade, ia perdendo as poucas mulheres por quem voltei a sentir paixão, que foram muito poucas, e que eu ia perdendo, porque não lhes dava o devido valor. Depois, nas poucas vezes em que me tentava reconciliar com o passado e aceitar viver o presente, era rejeitado.
Fui tendo algumas poucas mulheres com quem fui tendo fodas casuais, mas nunca retirando prazer que justificasse o jejum eterno do verdadeiro amor. Mesmo quando estava com alguma, sentia-me sozinho, sentia sempre que nunca gostava verdadeiramente de ninguém.
Recentemente, talvez por consciência pesada, acabei por me deixar envolver mais tempo com a última delas, ao ver que era isso que elas faziam. Tentei levar uma vida calminha, com uma relação de conveniência, mas a verdade é que pode resultar com os outros, mas comigo não. Um sufoco absoluto e um vazio enorme, e nem o sexo regular justificava tanta hipocrisia...
E, volta e meia, quando acabo por voltar a pensar nisto, dá-me sempre uma vontade quase irresistível de procurar, de reencontrar, de voltar a tentar estabelecer contacto... Mas depois penso: Se fui rejeitado, porque é que continuo a massacrar-me?
Decido desistir disto tudo, ficar sozinho, e pronto.
Mas, e se gostava de mim?
Porque não me procurou?
Porque não largou tudo, como eu largaria, para tentar ser verdadeiramente feliz?
Porque é que não consigo aceitar a derrota e esquecer isto de uma vez por todas para acabar com este insano impasse?
Estou farto desta merda toda, já só queria conseguir esquecer esta tristeza arrasadora e não ter de pensar em nada...
O arrependimento vai-me consumindo, pouco a pouco, sem esperança de um fim à vista.
Vou aceitar a derrota e tornar-me doador de esperma.
O arrependimento vai-me consumindo, pouco a pouco, sem esperança de um fim à vista.
Vou aceitar a derrota e tornar-me doador de esperma.
Segunda-feira, Agosto 20, 2012
Cobardia
No fundo sabia que tinha de terminar aquela relação. Aquilo que deveria ser amor, era piedade, aquilo que deveria ser paixão, era trabalho, era uma obrigação. Aquilo que deveria ser uma decisão firme, era cobardia, era pena...
Quinta-feira, Agosto 16, 2012
Quarta-feira, Agosto 15, 2012
O que é o Amor? (para os que dele abdicam em troca da mediocridade)
"Não saber explicar o que se sente por quem você quer a todo momento, é amar." Fernando Pessoa
"O amor não conhece sua própria intensidade até a hora da separação." Khalil Gibran
"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?" Fernando Pessoa
"A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande." Roger Bussy-Rabutin
"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor... Lembre-se. Se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor com ele você conquistará o mundo." Albert Einstein
"É errado pensar que o amor vem do companheirismo de longo tempo ou do cortejo perseverante. O amor é filho da afinidade espiritual e a menos que esta afinidade seja criada em um instante, ela não será criada em anos, ou mesmo em gerações." Khalil Gibran
"Não há disfarce que possa esconder por muito tempo o amor quando este existe, nem simulá-lo quando este não existe." François La Rochefoucauld
"É melhor estar triste com amor, do que alegre sem ele." Johann Goethe
"Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos." Bertrand Russell
"É muito melhor viver sem felicidade do que sem amor." William Shakespeare
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade." Carlos Drummond de Andrade
"As nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar." William Shakespeare
"Quando há casamento sem amor, há amor sem casamento." Benjamin Franklin
"Uma alma que se sabe amada, mas que por sua vez não ama, denuncia o seu fundo: - vem á superfície o que nela há de mais baixo." Friedrich Nietzsche
"Nunca permita que um problema a ser resolvido se torne mais importante do que uma pessoa a ser amada." Barbara Johnson
"O erro que cometemos é quando procuramos ser amados, em vez de amar." John Dryden
"A maior parte das pessoas vê no problema do amor, em primeiro lugar, o problema de ser amado, e não o problema da própria capacidade de amar." Erich Fromm
"Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal." Friedrich Nietzsche
"Não peca quem peca por amor." Oscar Wilde
"Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele."Victor Hugo
"O amor não começa e termina do modo que pensamos. O amor é uma batalha, o amor é uma guerra; o amor é crescimento contínuo." James Baldwin
"O curso do amor verdadeiro nunca fluiu suavemente." William Shakespeare
"A consciência de amar e ser amado traz um conforto e riqueza à vida que nada mais consegue trazer." Óscar Wilde
"Ser profundamente amado por alguém nos dá força; amar alguém profundamente nos dá coragem." Lao-Tse
"Ame profunda e passionalmente. Você pode-se magoar, mas é a única forma de viver o amor completamente." Dalai Lama
"Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir." Khali Gibran
"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura." Friedrich Nietzsche
"Ser amado é consumir-se na chama. Amar, é luzir com uma luz inesgotável. Ser amado é passar; amar é durar." Rainer Rilke
"Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade." Albert Camus
"Amor platónico é como um vulcão inactivo." Andre Pevost"
"Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis." Carlos Drummond de Andrade
"Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la." Carlos Drummond de Andrade
"Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo." Pitágoras
"Porque quem ama nunca sabe o que ama, Nem sabe porque ama, nem o que é amar, Amar é a eterna inocência, E a única inocência, não pensar..." Fernando Pessoa
"Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!" Sigmund Freud
"Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia." William Shakespeare
"É inútil obter por piedade aquilo que desejamos por amor." Victor Hugo
"Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido." Vinícius de Moraes
"Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá". Vergílio Ferreira
"É mais fácil amar que ser amado. Aceite o amor: ele não vai ficar esperando para sempre." Paulo Coelho
"O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter coragem de ir colhê-la à beira de um precipício." Sthendal
"O amor é o único jogo no qual dois podem jogar e ambos ganharem." Erma Freesman
"O amor é uma força mais formidável que qualquer outra. Ele é invisível - não pode ser visto ou medido, e mesmo assim, ele é suficientemente poderoso para te transformar em um momento, e te oferecer mais alegria do que qualquer bem material poderia." Barbara DeAngelis
"Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor." Wolfgang Amadeus Mozart
"O amor e o desejo são as asas do espírito das grandes façanhas." Johann Goethe
"Você descobrirá, conforme olha para trás em sua vida, que os momentos em que você realmente viveu são os momentos em que você fez as coisas no espírito do amor." Henry Drummond
"Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém..." Vinícius de Moraes
"Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já..."Pablo Neruda
"..Saudade é amar um passado que ainda não passou, É recusar um presente que nos magoa,
É não ver o futuro que nos convida..." Pablo Neruda
"Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a." Johann Goethe
"Se quer ser amado, ame." Séneca
"O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem." Antoine de Saint-Exupéry
"O amor não se vê com os olhos mas com o coração." William Shakespeare
"De longe te hei de amar- da tranquila distância em que o amor é saudade e o desejo, constância."Cecília Meireles
"A ausência só mata o amor quando ele já está doente na data da partida." Condessa Diane
"Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém... Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim... E ter paciência para que a vida faça o resto..." William Shakespeare
"Se você ama alguém, deixo-o livre; se ele voltar, ele é seu; se não, nunca foi." Richard Bach
"Amor não se conjuga no passado; ou se ama para sempre, ou nunca se amou verdadeiramente." M. Paglia
"A única anormalidade é a incapacidade de amar." Anaïs Nin
"Em última análise, precisamos amar para não adoecer." Sigmund Freud
"A grande tragédia da vida não é que os homens morram, mas que parem de amar." Somerset Maugham
"O amor é a compensação da morte." Arthur Schopenhauer
"Amor e tosse, impossível ocultá-los." George Herbert
"Quase sempre as mulheres fingem desprezar o que mais vivamente desejam." Shakespeare
"O verdadeiro amor é aquele que permanece sempre, se a ele damos tudo ou se lhe recusamos tudo." Johann Goethe
"As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar." Leonardo da Vinci
"Somente quando encontramos o amor, é que descobrimos o que nos faltava na vida." John Ruskin
"Duvida da luz dos astros, De que o sol tenha calor, Duvida até da verdade, Mas confia no meu amor." William Shakespeare
"Quanto mais amor temos, tanto mais fácil fazemos a nossa passagem pelo mundo." Immanuel Kant
"Se queres prolongar o amor não permitas que a desconfiança te domine em relação à pessoa amada." Ovídio
"É pelo nosso amor-próprio que o amor nos seduz. Como resistir a um sentimento que embeleza o que temos, que nos restitui o que perdemos e nos dá o que não temos!" Sébastien-Roch Chamfort
"A beleza do espírito, causa admiração; a da alma, estima; e a do corpo, amor." Bernard Fontenelle
"O amor deveria perdoar todos os pecados, menos um pecado contra o amor. O amor verdadeiro deveria ter perdão para todas as vidas, menos para as vidas sem amor." Oscar Wilde
"Há instantes em que os homens são senhores do seu destino." Shakespeare
"Bem lá no fundo você sabe que só existe uma única mágica, um único poder, uma única salvação... e que ela se chama amor." Hesse
"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver." Dalai Lama
"Quem é orgulhoso a si próprio devora." Shakespeare
"Em amor, não há último adeus, senão aquele que se não diz." Alexandre Dumas
"O amor, como um rio, encontrará um novo caminho toda vez que encontrar um obstáculo." Crystal Middlemas
"Não devemos contentar-nos em falar do amor para com o próximo, mas praticá-lo." Albert Schweitzer
"Só o que é de mais é que é bastante." Vergílio Ferreira
"A criança é o amor feito visível." Friedrich Novalis
Quinta-feira, Agosto 09, 2012
As mulheres têm fios desligados - António Lobo Antunes
Há uns tempos a Joana
- Pai, acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou-me mas foi
- Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
-Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a preseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Shubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável, a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é so copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.
- Pai, acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou-me mas foi
- Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
-Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a preseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Shubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável, a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é so copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.
António Lobo Antunes
Quarta-feira, Agosto 08, 2012
Recordar é viver...
Por se achar mais infeliz, cada vez mais distante da felicidade para sempre perdida na espuma dos dias, todos aqueles momentos, todas aquelas mulheres, com quem julgou, por momentos, alcançar a felicidade, lhe vinham à memória, lhe prolongavam a nostalgia e a tristeza. Na altura, o que parecia nada demais, alcançava agora honras de figurar nos feitos que separam os Deuses do Olimpo dos demais. E como as relembrava, e suspirava que elas o relembrassem a ele... Como ele desejava que elas o tivesse amado e que o recordassem para sempre, como se esse feito fosse por si só, o alcance da imortalidade...
Tudo o que está definitivamente perdido ganha um encanto especial.
Tudo o que temos no presente nos parece definitivamente angustiante.
Tudo o que temos no presente nos parece definitivamente angustiante.
Terça-feira, Agosto 07, 2012
Rotina
Ela preparava-se para se ir deitar, mas sabia que ele não a ia deixar dormir, sabia que ele queria sexo. O sexo com ele era para ela como uma obrigação que tinha de cumprir, um trabalho, uma rotina que lhe proporcionava manter aquela relação, aquela vida normal. Ele tentou agarrá-la, beijá-la, mas ela disse-lhe que estava cansada e que queria dormir. Fechou os olhos e vieram-lhe à memória as imagens do seu primeiro amante, do seu primeiro romance, aquelas intermináveis sessões de amor que se prolongavam por horas e que nunca pareciam acabar, com intervalos de dias que custavam a passar até à vez seguinte, e que, ao contrário da situação presente, não pareciam constituir momentos excepcionais no meio dos dias normais, mas pareciam sim terem demasiados dias normais intercalados no meio desses momentos especiais... Como tudo era diferente, nesses tempos... Enquanto ela se lembrava dessa imagem, sentiu o seu corpo avassaladoramente invadido por uma onda de calor, o seu ventre subitamente latejante, impacientemente húmido e receptivo, e enquanto se tocava possuída pelo desejo, sentiu a necessidade imediata de ser penetrada por ele. Então, mantendo os seus olhos fechados, virou-se para o seu namorado normal, imaginado que era ele, e beijou-o intensamente como se fosse o seu antigo amante , revendo-se novamente naquele quarto de outros tempos...
Em poucos minutos, tudo voltava novamente à realidade
Sábado, Julho 21, 2012
Pesadelo
Contava-me que tinha ido para a cama várias vezes com um cromo que tinha namorado com a minha ex dos 18 anos depois de mim. Ela contava-me isto com a maior das calmas, fazia-o às escondidas do namorado. Eu olhava para ela na cama, depois do acto consumado, via aquele corpo, aquelas mamas desnudadas e não percebia como tinha perdido aquela mulher, ao mesmo tempo que sentia tristeza pelo que ela me contava... Muito mais à frente no sonho, ela tenta-me abraçar e eu desviei-me. Estávamos num prédio, mas não tinha paredes e ela caiu do apartamento. Eu olhava para o corpo na esperança que ela ainda estivesse viva. Recriminava-me por não tê-la agarrado. Tinha sido um instinto, pois não a perdoava por ter caído naquela decadência. Mas no final culpava-me a mim próprio, porque tudo aquilo não era importante, ela ainda me amava e tudo aquilo tinha sido uma tentativa desesperada. Mas agora era tarde demais e a culpa assolava-me.
Acordei. Era apenas um pesadelo.
Acordei. Era apenas um pesadelo.
Quinta-feira, Julho 12, 2012
Sábado, Junho 30, 2012
Ao contrário
Ao fim da tarde fui buscar Susana que, assim que entrou no carro, começou a barafustar dizendo que eu só ano com ela para foder e que só estamos juntos no fim-de-semana umas horas e que eu nunca a levava uma esplanada. Levei-a a uma esplanada e enquanto virávamos Martinis, passou a outra com o seu namorado a conduzir. Nesse momento percebi que acabou. Já tinha acabado há anos, simplesmente tinha-me recusado a aceitar esse facto, andava em negação. E agora ali estava a realidade a passar à minha frente, eu sentado na esplanada com Susana enquanto ela passava sorridente, com ele a conduzir...
Tinha percebido que aquilo finalmente tinha acabado e que não mais ia continuar a alimentar aquela fantasia.
Horas mais tarde, entra ela com uma amiga, pela primeira vez, na discoteca onde eu costumo ir. Cumprimentou-me ao de longe, eu retribui. Estava lindíssima. Eu, num barril de pólvora emocional, não sabia o que sentir. Tentei apenas não sentir nada, enquanto uma mistura intensa de paixão e de ódio me tentava assaltar a cada momento.
Passado umas horas saiu, sem dizer nada, e eu também nada lhe disse.
Comecei a beber o mais que pude para não ter de pensar.
Vim com Susana para casa e assim que caí na cama adormeci imediatamente.
Sonhei que estava na discoteca, e tentava escapar às escondidas com ela enquanto Susana me parecia perseguir, não se importando com a sua presença. No sonho, a certa altura estava abraçado às duas, e enquanto Susana parecia distraída, tentava beijá-la, sendo que não conseguia porque Susana depois olhava para mim e tínhamos de interromper o beijo. Antes de acordar, estava na rua à porta do bar, a tentar escapar sorrateiramente com ela, mas Susana aparecia e juntava-se a nós. Enquanto isso, outros homens cobiçavam-na com os olhos...
Quando acordei, houve sexo, mas uma sensação esquisita assaltava-me o tempo todo.
Susana no final disse-me que gostava cada vez mais de mim. Eu não consegui dizer nada e ela ficou triste.
Susana no final disse-me que gostava cada vez mais de mim. Eu não consegui dizer nada e ela ficou triste.
Estou confuso. Culpo a outra por me ter cortado todas as hipóteses e ter escolhido o outro. Por outro lado não sinto por Susana aquilo que sentia por ela.
Tenta-se dar luta ao destino, mas tudo parece ao contrário...
Tenta-se dar luta ao destino, mas tudo parece ao contrário...
Sábado, Junho 23, 2012
Ânsia
Há dias em que acho que deve ser isto amar loucamente. É normal passar um dia inteiro a pensar numa mulher, ir ao google e pôr o nome dela, e depois passar horas a olhar para uma foto com uma enorme vontade abafada de chorar? Não conseguir relaxar, não conseguir trabalhar, não conseguir fazer mais nada? E depois largar tudo e continuar a fazê-lo obsessivamente, desejar voltar a vê-la, a falar com ela, imaginar e mil e um esquemas, e não haver nada que possa fazer para evitar esta magicação? E só a custo conseguir evitar cometer uma loucura. E no final querer fugir dali imediatamente e sentir-me miserável, para depois querer novamente voltar a repetir todo o processo? E depois imaginar um reencontro, imaginar que a pessoa também não nos esqueceu, imaginar ambos a largarmos tudo para ficarmos juntos, felizes por conseguir derrotar um destino improvável? Imaginar um verdadeiro amor, uma criança nascida de um amor perfeito, não da resignação e da conformação...Às vezes só compreendemos que temos uma necessidade avassaladora de alguém quando a perdemos definitivamente, e quando percebemos que tudo isto só se passa na nossa cabeça e que estamos no limiar da loucura...
E depois tento ser racional, relembrar que foram elas que escolheram este destino e que não há nada que eu possa fazer.
Será que amar é isto?
Será que amar é isto?
Sinto-me miserável...
Quinta-feira, Junho 21, 2012
Segunda-feira, Junho 04, 2012
Ninguém
Não amo ninguém. Dentro de mim sinto apenas vazio. Um vazio de emoções soltas e incompletas.
Ods
At least it was special for some time. A rare case of (in)direct comunication. I mean, what are the real ods of something like this ever happened?
Terça-feira, Maio 08, 2012
Podia, não podia?
Fodasse, farto-me de dar voltas a pensar e chego sempre à mesma conclusão. Bem que isto podia ter sido de outra forma...
Farto-me de pensar nela. Às vezes vou aos locais onde a vi pelas últimas vezes só para me recordar dela. Outras, dá-me vontade de escrever um mail... Eu penso que estávamos melhor juntos. E sei que ela concordará um dia, mesmo que não o tenha feito quando devia. Era bom que este afastamento fosse apenas um plano para constatarmos que éramos perfeitos um para o outro. Conseguirá ela imaginar como seria dormirmos juntos, adormecermos nus, abraçados e transpirados todas as noites? Volta e meia penso em nela, quando sinto este vazio interior...
Terça-feira, Abril 17, 2012
São opções
E as vezes penso se teria valido a pena ficarmos juntos e a resposta é óbvia, claro que sim, que deveríamos ter tentado. E de quem foi a culpa desta vez? Ah, pois é. Andou sempre tanto tempo obcecada com a ideia de que a culpa era minha, quando eu continuo a achar que o meu único problema sempre foi ser sincero e falar demais. Se apostasse com tudo, apesar das minhas dúvidas, provavelmente hoje estaríamos juntos. Mas ela tinha logo de ir arranjar outro que lhe mentisse sempre para pensar que ele a amava incondicionalmente e nunca tinha dúvidas, mesmo que isso fosse mentira, e que ela não gostasse dele. E tinha que continuar a preferir a farsa em que se tinha metido, mesmo quando se confrontou inúmeras vezes, mesmo quando nas últimas tentativas desesperadas. E assim continuou durante anos. Só que a farsa era demasiado evidente até para ela, e de vez em quando batiam as saudades e lembrava-se de mim: "espera lá, e como seria estar junto de alguém que verdadeiramente se ama?". Pois, arrependimentos repentinos para descarga de consciência, que nunca eram verdadeiras tentativas mas sim pequenas simulações, a que se submetia motivada pelo enfado de uma relação hipócrita e cínica, e apenas quando sentia que estava em risco de perder toda a esperança no amor. Talvez como apostar num jogo combinado, onde já se sabe previamente quem será o vencedor e se aposta no perdedor. Queria que eu fosse apenas um hipotético amante suplente mental, para ir buscar ao armário um dia, eventualmente, quando fosse preciso um termo de comparação para imaginar como seria se... E no final a decisão foi sempre a mesma, voltou a preferir a segurança, a hipocrisia dos que "nunca se enganam e raramente têm dúvidas" em detrimento de mim, que a amei da mesma forma, ao longo deste tempo todo, embora recusando-me a entrar na hipocrisia do ideal de amor perfeito dos filmes, estéril, falso, mentiroso, e que ela "adquiriu" para a vida, a fim da estabilidade, da aprovação dos pais, de umas idas ao cinema, de um apartamento numa boa rua da cidade, de uma velhice despreocupada e enfastiante. A mediocridade...
Ela nunca acreditou em nós. Nunca se imaginou a ficar comigo sem querer substituir-me logo por outro, simplesmente acreditar até ao fim. Tal como fez com ele apesar de não o amar, tal como ele fez com ela, justamente o oposto do que eu nunca consegui fazer, por ter um pavor terrível da mentira e um fascínio pela liberdade, que me era difícil compreender na altura. Continuou-me a atirar com as culpas como se tivesse toda a razão, mesmo quando todos os argumentos já tinham passado de validade e os papéis se tinham invertido. Tentei variadíssimas vezes, virou costas, tentei uma última por desespero, e fez igual. Porque é sempre mais fácil atribuir a culpa aos outros do que assumir os nossos erros. Preferiu um amigo a um amante, uma farsa ao verdadeiro amor. Quando poderiam haver condições para se lutar por um verdadeiro amor, desiste-se. São opções.
Podem passar meses, anos, décadas, mas tenho a certeza que se vai lembrar de mim, pelo menos tantas vezes quantas as que eu me vou lembrar dela, e este grande fardo será a única coisa que verdadeiramente compartilharemos...
O sítio secreto
Houve apenas uma pessoa com acesso ao meu sítio secreto. Levei-a lá e mostrei-lhe o inconsciente. Deve ter achado interessante, várias vezes lá voltou. Quando lhe disse que podia ficar mais algum tempo, foi embora.
Houve uma outra que uma vez o descobriu. Ficou por demasiado tempo sem ser convidada, ela que nem mereceria sequer ter chegado a saber da sua existência.
Houve uma outra que uma vez o descobriu. Ficou por demasiado tempo sem ser convidada, ela que nem mereceria sequer ter chegado a saber da sua existência.
Sexta-feira, Janeiro 13, 2012
Dúvidas
Acabei por ficar com uma mulher lindíssima e interessante, fisicamente magnífica e intelectualmente evoluída (incomparavelmente mais madura nas ideias do que qualquer outra mulher que tenha tido), o que durante bastante tempo me deixou tranquilo e satisfeito. Durante meses não senti vontade de pensar noutras nem de escrever e desabafar. Mas bastaram pequenas quezílias para as dúvidas assolarem. Ela ama-me incondicionalmente, ou pelo menos assim o diz, e quer ficar comigo para sempre. Eu vou-me deixando andar, mas quando a coisa entra na rotina, volto a pôr tudo em questão.
O desassossego voltou a abalar os pilares do conformismo, e subitamente voltei a desejar efectivamente, e a fazer viagens ao passado. Primeiro foi Lurdes. É infinitamente bela. Parece ter tudo o que eu gostaria numa mulher, mas é superficial. Contudo, conheço-a há anos e é um desejo antigo. Após a minha saída de cena pareceu ressentir-se e procurar reaproximação. Mas, depois de ter caído na categoria de amigo, o meu interesse por ela esmoreceu. E a sua beleza intimida-me. Nem com as idas ao ginásio me consigo sentir ao nível dela. Mas se soubesse que conseguia, não sei se não arriscaria tudo. Andamos há semanas para tomar café, porque a actual não quer que eu saia com outras. Mas é especial, e as saudades batem. Basta ficar a coisa um pouco tremida para eu me lembrar dela, e do que ficou mal esclarecido.
Depois há a eterna Lúcia. Não há uma única mulher no mundo que me tenha atraído tanto como Lúcia. Foi o melhor sexo e intimidade que já tive com uma mulher até hoje e esse desejo de completude com a outra parte continua insatisfeito. Ainda hoje, não há uma semana que eu não pense nela. Contudo é um sentimento ambíguo. Tanto me apetece ir ver se a encontro, como logo de seguida me lembro que foi ela que optou por outro deitando tudo a perder, e isso dá-me um ódio imenso. Inúmeras vezes dou por mim à procura do nome dela na internet, e a ler mails antigos, para sentir que ela existe...
E esta actual, merecia ser trocada ou traída, ela que se dedica inteiramente a mim com total empenho e paixão? É óbvio que não. Resistiria eu ao apelo de um desejo fortíssimo sedimentado ao longo destes anos? Não...
Entretanto, na minha cabeça vou imaginando realidades paralelas, consciente de que no final continuará tudo na mesma...
Sou feliz? Não. Seria com alguma das outras? Dificilmente.
Seria com outra perdida num passado tão distante e improvável? Impossível saber...
Sábado, Outubro 22, 2011
Saudade
Nunca admitimos as saudades que temos. Mas eu admito que as tenho. E que são tantas... E quem as sente também sabe o que eu sinto...
Segunda-feira, Agosto 15, 2011
O passado já é passado
Gosto da mulher que tenho ao meu lado. Satisfaz-me, por momentos sinto-me feliz.
Acho agora que é normal fazer retrospectivas, quando estamos perante cruzamentos, momentos de decisão. O medo, leva-nos a voltar atrás, para ver o que falhou nas histórias anteriores. Não queremos falhar. E depois é normal que venha a nostalgia, não uma nostalgia de querer voltar atrás a todo o custo imediatamente e reparar o que tinha corrido mal, mas uma nostalgia do que havia antes de terem começado a correr mal e que nunca mais vai voltar a ser igual. Quando sabemos que é impossível voltar atrás, apercebemo-nos de que o passado já não faz mais sentido, e que nunca mais irá voltar a existir nas nossas vidas e que a única novidade que nos surpreende como a uma criança é o carácter finito das oportunidades, do mar imenso de universos paralelos que se vai tornando cada vez menos denso, cada vez mais objectivo. Isso primeiro custa a entranhar e o nosso inconsciente rebela-se, projecta-nos em sonhos os caminhos que se vão fechando com as nossas decisões. Desobedece-nos egoísticamente em desespero de causa, cada vez mais consciente que as janelas se vão fechando e que vamos ficando cada vez mais cativos do futuro, que é o que nos mete verdadeiramente medo...
Eu gosto desta mulher que diz gostar de mim, mas não a amo. Tenho medo do dia de amanhã. Tenho medo de mim próprio e tenho medo dela. Estou preocupado com a incerteza associada ao futuro. Provavelmente serei mais uma pessoa infeliz neste mundo.
E não é só no amor. Vivemos um pesadelo a nível planetário, todos os seres humanos desesperam diariamente porque não sabem onde vão arranjar dinheiro para continuar a conseguir viver no dia de amanhã... Estamos entregues a quem não quer que tenhamos uma vida feliz. Somos meras estatísticas, mercado para os capitais nos capitalizarem. Cabe-nos a nós, libertarmo-nos das regras do jogo capitalista pelo menos no amor...
Acho agora que é normal fazer retrospectivas, quando estamos perante cruzamentos, momentos de decisão. O medo, leva-nos a voltar atrás, para ver o que falhou nas histórias anteriores. Não queremos falhar. E depois é normal que venha a nostalgia, não uma nostalgia de querer voltar atrás a todo o custo imediatamente e reparar o que tinha corrido mal, mas uma nostalgia do que havia antes de terem começado a correr mal e que nunca mais vai voltar a ser igual. Quando sabemos que é impossível voltar atrás, apercebemo-nos de que o passado já não faz mais sentido, e que nunca mais irá voltar a existir nas nossas vidas e que a única novidade que nos surpreende como a uma criança é o carácter finito das oportunidades, do mar imenso de universos paralelos que se vai tornando cada vez menos denso, cada vez mais objectivo. Isso primeiro custa a entranhar e o nosso inconsciente rebela-se, projecta-nos em sonhos os caminhos que se vão fechando com as nossas decisões. Desobedece-nos egoísticamente em desespero de causa, cada vez mais consciente que as janelas se vão fechando e que vamos ficando cada vez mais cativos do futuro, que é o que nos mete verdadeiramente medo...
Eu gosto desta mulher que diz gostar de mim, mas não a amo. Tenho medo do dia de amanhã. Tenho medo de mim próprio e tenho medo dela. Estou preocupado com a incerteza associada ao futuro. Provavelmente serei mais uma pessoa infeliz neste mundo.
E não é só no amor. Vivemos um pesadelo a nível planetário, todos os seres humanos desesperam diariamente porque não sabem onde vão arranjar dinheiro para continuar a conseguir viver no dia de amanhã... Estamos entregues a quem não quer que tenhamos uma vida feliz. Somos meras estatísticas, mercado para os capitais nos capitalizarem. Cabe-nos a nós, libertarmo-nos das regras do jogo capitalista pelo menos no amor...
Sexta-feira, Agosto 05, 2011
Mulheres da minha vida
Penso em todas as mulheres que tive ao longo da minha vida, e nas que não tive, e penso qual delas terá sido a mais importante, e com qual delas gostaria de estar agora e ganhar juízo se a vida me tivesse corrido bem.
Mas depois penso: se nunca se arriscou tudo e se nunca se acreditou verdadeiramente é porque nunca realmente gostaram de mim. Então só me resta tentar encontrar alguém que na hora de optar entre mim e outro, acredite e opte por mim.
Mas depois penso: se nunca se arriscou tudo e se nunca se acreditou verdadeiramente é porque nunca realmente gostaram de mim. Então só me resta tentar encontrar alguém que na hora de optar entre mim e outro, acredite e opte por mim.
Sonho de exs
Estava eu num retiro qualquer do tipo um hotel. Há uma mulher muito atraente que me seduz. Sem palavras, vamos para um dos quartos, mas nenhum era fechado, todos eram descobertos de um dos lados, tendo apenas cortinas. Uma amiga, S, descobre-nos e tenta fechar as cortinas. Eu, depois disto, já nem tinha vontade e sentia-me culpado, pelo que não consegui continuar ali. Depois estava já noutro quarto de hotel com B, era hora de jantar e eu deitava fora no lixo grão esmagado em pasta. Preparava-me para sair e comprar uma lata de grão, pedindo desculpa a B por deitar fora a sua comida. A mulher com quem tinha ido antes também estava naquela divisão, bem como xing, F, e a pessoa que mais odeio no mundo, A, que saiu imediatamente.
De repente saio e entro numa casa onde há uma espécie de festa popular. Estão as mesmas pessoas, só que entretanto chega V, a minha primeira namorada dos meus 17, 18 anos, hoje casada. Não consigo deixar de me cruzar com ela e a sua presença incomoda-me.
Saio dessa sala mais tarde, e estou a ver o meu mail, quando me deparo com um mail da tirolesa a dizer que está na cidade e a convidar-me para uma festa na casa onde eu morara antes. Profiro os mais breves e mais ofensivos impropérios possíveis, e volto para o hotel. Entretanto acordei.
De repente saio e entro numa casa onde há uma espécie de festa popular. Estão as mesmas pessoas, só que entretanto chega V, a minha primeira namorada dos meus 17, 18 anos, hoje casada. Não consigo deixar de me cruzar com ela e a sua presença incomoda-me.
Saio dessa sala mais tarde, e estou a ver o meu mail, quando me deparo com um mail da tirolesa a dizer que está na cidade e a convidar-me para uma festa na casa onde eu morara antes. Profiro os mais breves e mais ofensivos impropérios possíveis, e volto para o hotel. Entretanto acordei.
Domingo, Julho 31, 2011
Resignação
De certa forma estou bem, estou feliz. Resignado. Tenho uma cena com uma mulher bonita e inteligente em quem confio minimamente. Mas não consigo deixar de pensar nas que correram mal. E de desejar maliciosamente que essas pessoas não me esqueçam nunca e recordem para sempre a merda que fizeram. E depois disto fico sem vontade nenhuma de ser egoísta e de lixar esta mulher. Até porque a minha consciência não o permite. Mas não consigo deixar de imaginar como seria se conseguisse ter tido com as anteriores o que tenho com esta. Se calhar não era simplesmente possível.
Sonho
Hoje sonhei com L, apesar de ter outra mulher a dormir ao meu lado.
Eu acordava e tinha L deitada a meu lado, nua e bronzeada. Eu levantava-me e chegava à casa de banho, mas não havia sanita e a casa de banho não tinha tecto e estava algo destruída. Então eu ia falar com B, colega e companheiro da casa onde morei antes, que me contou ter desmontado a sanita para "não se estragar". Eu argumentei que não se estragava, que era necessária e para me dizer onde estava que eu ia montá-la. Fui então buscá-la em peças ao sotão da casa dos meus pais, e é curioso que a sanita estava constituída em partes e não numa peça única. Tive então bastantes dificuldades para a conseguir montar no sítio, na casa de banho do último piso, ao fundo do corredor, porque L precisava de a utilizar.
Eu acordava e tinha L deitada a meu lado, nua e bronzeada. Eu levantava-me e chegava à casa de banho, mas não havia sanita e a casa de banho não tinha tecto e estava algo destruída. Então eu ia falar com B, colega e companheiro da casa onde morei antes, que me contou ter desmontado a sanita para "não se estragar". Eu argumentei que não se estragava, que era necessária e para me dizer onde estava que eu ia montá-la. Fui então buscá-la em peças ao sotão da casa dos meus pais, e é curioso que a sanita estava constituída em partes e não numa peça única. Tive então bastantes dificuldades para a conseguir montar no sítio, na casa de banho do último piso, ao fundo do corredor, porque L precisava de a utilizar.
É justo
Há que ser justo. A cota não é realmente cota, tem mais três anos do que eu e conserva a sua beleza acima da média, intacta. Basta dizer que já tinha reparado nela como uma das mulheres mais bonitas que vejo na noite. Depois os equívocos. Ela não fodeu com mais ninguém, não fodia há 7 anos, eu sou um bocado paranóico. Pelo contrário, não há grandes hipocrisias, é jogo aberto porque ela é tão (ou mais) ciumenta como eu. Depois há o sexo, e aqui ela faz toda a diferença. Basta dizer que consegue retirar o melhor de mim. Não basta. É preciso dizer que passamos dias e horas sempre a foder, como orgasmos de parte a parte facilmente sincronizados e desejo mútuo. E ela mexe-se muitíssimo bem. É justo dizê-lo...
Sexta-feira, Junho 24, 2011
Gonna leave her
Estou farto da velha, da cota, daquela psicótica de merda. Eu não gosto dela, não lhe acho qualidades nenhumas, a gaja é uma peixeira.
Além disso embaraça-me publicamente, está-me sempre a agarrar e a dar barraca.
E assim fico a ver passar as que me interessam ao lado
Agora que suspeito que fodeu com outro, tenho a desculpa perfeita.
A única coisa que tem de bom é que é uma máquina a foder...
Além disso embaraça-me publicamente, está-me sempre a agarrar e a dar barraca.
E assim fico a ver passar as que me interessam ao lado
Agora que suspeito que fodeu com outro, tenho a desculpa perfeita.
A única coisa que tem de bom é que é uma máquina a foder...
Sexta-feira, Junho 17, 2011
Conclusão Final
Dou a volta toda e fico sem nada, chego de mãos vazias. Esfumada a idealização da mulher perfeita, é tempo de sentar, pensar um bocado e lamber as feridas.
Sobra uma pergunta. De todas as que conheço, neste momento, há alguma que me faça ter esperanças, ou alguma que eu sonhasse ter? A resposta é um redondo não.
De todas as que tive até hoje, há alguma que me tenha marcado de forma profunda?
Alguma que eu lamente ter perdido?
Alguma que eu se pudesse voltar a ter, queria mesmo para amar a sério?
Há.
Sobra uma pergunta. De todas as que conheço, neste momento, há alguma que me faça ter esperanças, ou alguma que eu sonhasse ter? A resposta é um redondo não.
De todas as que tive até hoje, há alguma que me tenha marcado de forma profunda?
Alguma que eu lamente ter perdido?
Alguma que eu se pudesse voltar a ter, queria mesmo para amar a sério?
Há.
Está definitivamente perdida?
Está.
Segunda-feira, Junho 13, 2011
Dilemas
Fico sempre à a espera de quem não chega, mas se chega, nem dou conta, porque estou ocupado com quem não interessa...
Segunda-feira, Maio 30, 2011
Infelicidade
Sou infeliz, sou profundamente infeliz.
Mas os meus danos emocionais são graves. Não consigo tirar prazer da vida, não consigo encontrar uma mulher com quem me sinta feliz...
Afastei-me das duas e voltei a vir para casa sozinho, por opção.
Parece estranho, até a mim...
Sou infeliz, mas prefiro a solidão do que desperdiçar tempo com enganos...
O tempo escasseia.
Já não me posso dar ao luxo de cometer erros de casting.
O sexo já não significa nada para mim, senão amar a pessoa.
O que importa é encontrar a futura mãe dos meus filhos.
Tudo o que me possa desviar desse objectivo é um engano que se paga caro...
Tenho duas mulheres "interessadas" em mim, sendo que uma tem 32 anos e tenho tido sexo regularmente com ela ao fim de semana - sempre bêbados, no final da noite - e a outra 25, embora só tenha ido uma vez com ela, mas temos falado e foi muito bom.
Contudo, e apesar de ambas serem muito bonitas e inteligentes, extraordinariamente acima da média, no final eu andava ainda mais triste porque nenhuma me satisfaz verdadeiramente.
Tanto foi o álcool, impulsionado pela tristeza e o desejo de não pensar, que tive um grave acidente, do qual só resultaram danos materiais. Nessa altura só pensava que esta vida não me levava a lado nenhum: quero encontrar uma mulher fantástica que possa amar e quero ter um dia ter um filho.
Contudo, e apesar de ambas serem muito bonitas e inteligentes, extraordinariamente acima da média, no final eu andava ainda mais triste porque nenhuma me satisfaz verdadeiramente.
Tanto foi o álcool, impulsionado pela tristeza e o desejo de não pensar, que tive um grave acidente, do qual só resultaram danos materiais. Nessa altura só pensava que esta vida não me levava a lado nenhum: quero encontrar uma mulher fantástica que possa amar e quero ter um dia ter um filho.
Mas os meus danos emocionais são graves. Não consigo tirar prazer da vida, não consigo encontrar uma mulher com quem me sinta feliz...
Afastei-me das duas e voltei a vir para casa sozinho, por opção.
Parece estranho, até a mim...
Sou infeliz, mas prefiro a solidão do que desperdiçar tempo com enganos...
O tempo escasseia.
Já não me posso dar ao luxo de cometer erros de casting.
O sexo já não significa nada para mim, senão amar a pessoa.
O que importa é encontrar a futura mãe dos meus filhos.
Tudo o que me possa desviar desse objectivo é um engano que se paga caro...
Terça-feira, Abril 26, 2011
Desolação
Fui ao Porto, com Maradona e mais duas babes, uma paixão dele que não ata nem desata, e a outra uma menina certinha bem bonitinha, ver um DJ set de Caribou. Todas as mulheres naquela pista me pareciam distantes, frias, lésbicas. À minha frente, o picanso entre ele e a babe, mais dois putos que apareceram e que pareciam não ver uma mulher desde que nasceram, e a outra babe com um puto qualquer que lá foi ter. Assim que este último puto saía da pista, os outros dois agarravam a miúda e apalpavam-na toda. Eu não compreendia como ela não enxotava aqueles dois desinteressantes imbecis. É psicologia social, sempre se aprende observando.
Aquela viagem de regresso parecia um pesadelo, e eu parecia um nómada num longo deserto interminável. Ao fundo ouvia as cantadas foleiras daqueles putos, um deles um verdadeiro anormal a quem me apetecia estrangular o pescoço. Há realmente pessoas que têm o intestino grosso ligado ao cérebro.
No dia seguinte áquela terrível ressaca, só me apetecia mandar um mail a Patrícia, que afinal descobri não ter namorado, para tomar um café a pretexto de trabalho. Parece ser a única mulher capaz de me entusiasmar, a única capaz de me fazer querer pensar em assentar e ter filhos.
Regressei à cidade e voltei a emborrachar-me até não haver amanhã. No final da noite encontrei Susana, uma mulher dois anos mais velha, de sardas, e com um corpo fulgorante, que já tinha "comido" na discoteca, e que consegui finalizar no sábado, trazendo-a para casa, e fodendo totalmente bêbados e a cair para o lado. Ela quer qualquer coisa mais séria, mas eu não quero mais do que sexo, e tal é o medo que no dia seguinte não quis repetir, apesar de me ter embebedado e de a ter encontrado.
Só consigo pensar em Patrícia, e em como ela seria a mulher ideal para construir uma vida.
- Mandei realmente o mail, ela disse que ia ser difícil porque não tinha tempo. Esta já era.
- Mandei realmente o mail, ela disse que ia ser difícil porque não tinha tempo. Esta já era.
Quinta-feira, Março 10, 2011
Quinta-feira à noite
Saí na quinta com uma colega por quem ando meio apanhado e que me parece corresponder (aqui há dias sonhei que ela estava sentada em cima de mim enquanto a penetrava), mas ela foi embora com uma amiga viciosa e não quis ficar para sair à noite. Mandou sms a um amigo a quem ia dar boleia para a terrinha, de fim-de-semana. Uma outra colega em comum, que desconfio que espera algo de mim, apesar de ela não me atrair, mandou sms à primeira a perguntar se realmente tinha saído comigo, ciumenta, quando estava farta de saber que sim (tínhamos combinado à frente dela). Eu nem era para sair de todo, mas haviam cortado a luz em casa, por falta de pagamento, há uma semana. Acabei por encontrar o M, um amigo, com quem fomos beber uns copos. Lá encontrei umas alemãs, a quem me abracei e bati uns couros, tentando-me aproveitar. Fui para a discoteca e atirei-me a um rapariga tão boa e grossa, que me dava uma tesão inacreditável, com um corpo que me fazia lembrar o de Lúcia. No final da noite, em que nos roçámos por duas horas, foi embora e só me deixou um número falso.
Quando vinha embora a sair da discoteca, voltei a encontrar Vânia, que me beijou imediatamente, e começámos a curtir. Viemos para casa e demos uma grande foda, apesar da bebedeira. No domingo liguei à da discoteca e descobri que o número era falso. Na segunda comi uma gaja mais velha no meio da pista de outra discoteca, mas ela não quis foder. Estava mascarado e sentia-me como Casanova.
Na terça à noite fui novamente para casa de Vânia, fodemos, dormi lá, e até foi bom. Tive que lhe prometer levar um antibiótico, porque dizia ter apanhado uma infecção urinária por causa de mim, quando isso não é sequer transmissível. Hoje dei-lhe o antibiótico, mas não me quis levar para casa, porque de manhã ia visitar um amigo com quem tinha estado internada. Desiludido, liguei para Lourdes uma antiga colega minha, amiga com quem saio ocasionalmente há vários anos, mas que nuca me deu abébias para foder. Estava doente e não quis sair, depois de eu lhe ter dado duas tampas seguidas depois de ter trazido um gajo para o meu lugar na última festa a que fomos, e a quem não estava a pensar convidar mais.
Entretanto, entrei para um ginásio, que frequento há um mês, e ganhei 4 kilos de peso, e infinitamente mais auto-estima...
No entanto estou confuso, pois no início eu só queria conseguir uma namorada de quem gostasse, que seria a primeira colega de trabalho que tinha referido, e não sei se esta confusão me vai fazer mal à cabeça.
Agora estou a pensar se devia sair hoje ou não, porque amanhã tenho de trabalhar.
Sexta-feira, Fevereiro 04, 2011
Morreu Maria Schnider


Para ver os excertos carregem no link, porque os fdp da MGM cotaram os conteúdos e a incorporação.
Fiquei especialmente triste neste dia. Por várias razões. A primeira é porque morreu Maria Schneider, uma das mais belas atrizes de sempre, cuja inocência e naturalidade ficarão para sempre imortalizadas neste filme, também ela uma figura trágica, que sempre odiou os homens devido ao facto do seu pai, um actor famoso, nunca a ter reconhecido como filha. Consequência disso ou não, apesar de Brigit Bardot a ter resgatado das ruas de Paris e a ter ajudado a começar a sua carreira de atriz, devido ao conhecimento desse facto, Schneider nunca deixou de fazer uma vida errante, envolta em polémica. Fugiu de casa da mãe aos 15 anos para Paris, onde tentou encontrar o pai que não a reconheceu e a deixou abandonada nas ruas. Foi então que B.B. a tentou ajudar. Mas mesmo depois do sucesso que foi o Último Tango em Paris, não conseguiu lidar com a fama e acabou afundada em drogas, sofrendo três overdoses e tendo sobrevivido quase por milagre. Antonioni resgatou-a em 75 para fazer outra obra prima "The Passenger", ou "Professione: Aka Reporter". Nos anos 80 conseguiu vencer o vício, com a ajuda da sua companheira, e foi conseguindo manter uma carreira intermitente, realizando perto de 40 filmes.
Mas a mim pessoalmente, o que me deixa profundamente triste, é que este filme, que muitos disseram ser auto-biográfico para Marlon Brando, também o é para mim. Jeanne foi para mim Lúcia, não só pela aparência física, mas também porque aquele quarto simbolizava para nós este apartamento. Também ela se sentia subjugada a alguém mais velho, não muito mais velho que ela físicamente, mas tão velho e destroçado psicológicamente como ele. Tal como Brando, também eu tentei deixar o mundo fora daquele quarto, não perguntando nem exigindo nada da vida dela, e não permitindo que ela tomasse conta da minha. E depois o sexo, o melhor sexo que tivémos até hoje, idêntico aquela paixão que vemos no filme, só que na minha opinião, ainda mais forte porque sentido como se não houvesse amanhã e nada mais importasse. Lúcia queria que eu a amasse desesperadamente, melhor, que eu demonstrasse que a amava desesperadamente, com num qualquer ultra-romantismo no sexo XXVIII, e por ver que eu era incapaz de o demonstrar, deixou-me, trocou-me pelo aborrecido realizador de cinema de Jeanne, dando-me um tiro metaforizado, como no filme, ao deixar-me para sempre, não sem antes dançar um último tango, depois de três anos de intervalo. Dou voltas e voltas à minha cabeça e não consego deixar de pensar nisto e de ficar profundamente deprimido. Porque razão não consegui eu amá-la dessa forma platónica que se ama sempre alguém que não se consegue ter? Porque razão ainda penso e ainda suspiro por ela todas as noites? Porque razão sempre recordo essas tardes e noites fechados naquele quarto como os dias mais felizes da minha vida? Porque razão só consegui perceber isso depois de levar o tiro e de a perder para sempre? Porque razão não considera ela isso amor, se foram os momentos mais felizes que vivi em toda a minha vida e aqueles que recordo e mantenho vivos na minha memória diáriamente, para sempre? Porque razão ela teve de me matar, precisamente no ponto em que podíamos ter deixado as merdas, sermos sinceros um com um outro, e dar uma oportunidade a nós dois agora que havia condições para isso?
Depois de ela me deixar, destroçado, conheci a polaca, tentei ser Brando o tempo todo, mas também me deu um tiro à primeira oportunidade. Desde aí, nada. Mataram-me, e caí prostrado..
Sinto-me sozinho e triste, porque a felicidade de que tanto falam, e que é soberbamente retaratada neste filme, nós tinhamo-la, e deixámo-la fugir. Hoje percebo que essa felicidade é a única coisa que realmente é importante. E o mundo está cheio de casos trágicos de gente que a deixou escapar, convencidos de que seria uma coisa banal, e que não mais a voltou encontrar até morrer...
E depois ao ver o excerto 1, desço ainda mais fundo na minha desolação. Vem-me à memória o dia em que estive debaixo daquela mesma ponte onde começa o filme, com a mulher mais perturbada que conheci em toda a minha vida, uma autêntica metáfora da mulher do personagem de Brando no filme, aquela que se suicidou. A cena do velório, no monólogo que ele faz quando está sozinho, não podia simbolizar melhor aquilo que senti por ela. Tanta coisa para, no final, voltar a sentir-me actualmente como Brando, nessa cena inicial, andando à deriva, antes de ser ultrapassado por Jeanne, justamente como eu estava, antes de tudo isto me ter acontecido...
Quinta-feira, Fevereiro 03, 2011
Quando tudo falha
No final, quando tudo falha, vem sempre um sentimento de desalento. A bem ver, tudo o que de pior pode acontecer, sempre acontece. Todas as minhas paixões foram tragédias. E no final vem o balanço. Vânia, a minha paixão do final da adolescência, depois dos meus primeiros anos de Universidade, terminou com a minha primeira grande desilusão. Duarante anos ainda gostei dela, mas depois do que ela me fez, eu nunca a perdoaria. Casou e teve um filho. Pelo meio ainda nos reencontrámos, e cheguei mesmo a temer que o filho fosse meu, depois de uma provocação de um colega, e não era, tenho quase seguramente a certeza mas ainda vou tirar isso a limpo com uma amiga para que não reste nenhuma dúvida.
Depois D, por quem tive uma paixão assolapada e a quem dedicava muitos destes textos por alturas de 2003/2004, nunca passou de uma paixão platónica. Quando a voltei a ver, passados estes anos todos, no verão e há uns dois meses, estava com o namorado que eu também conhecia e nem tive coragem de a cumprimentar.
S, quase ao mesmo tempo desta, era como a minha alma gémea. Ainda hoje passo horas a ver fotos dela no FB, e uma vez estive quase para a abordar, mas depois olho para a foto dela com o namorado e chego à razão. Já chegaram os toques anónimos que lhe mandava quando não tinha a coragem de lhe pedir para estar com ela fora do trabalho. Ainda hoje acho que foi um erro não ter tentado, a empatia que tínhamos na altura acho que não voltei a senti-la por ninguém. Mas a minha cabeça nessa altura andava uma confusão, uma indecisão completa, e acabei por tomar as piores decisões possíveis. Às vezes pensamos que o que sentimos por uma pessoa é facilmente substituivel por outra, e muitas vezes é preciso passarem anos para percebermos que a empatia e a proximidade que se sentia por uma pessoa era tão especial que nunca mais voltou a acontecer com ninguém.
S, quase ao mesmo tempo desta, era como a minha alma gémea. Ainda hoje passo horas a ver fotos dela no FB, e uma vez estive quase para a abordar, mas depois olho para a foto dela com o namorado e chego à razão. Já chegaram os toques anónimos que lhe mandava quando não tinha a coragem de lhe pedir para estar com ela fora do trabalho. Ainda hoje acho que foi um erro não ter tentado, a empatia que tínhamos na altura acho que não voltei a senti-la por ninguém. Mas a minha cabeça nessa altura andava uma confusão, uma indecisão completa, e acabei por tomar as piores decisões possíveis. Às vezes pensamos que o que sentimos por uma pessoa é facilmente substituivel por outra, e muitas vezes é preciso passarem anos para percebermos que a empatia e a proximidade que se sentia por uma pessoa era tão especial que nunca mais voltou a acontecer com ninguém.
L, com que eu tive um caso por essa altura e que nunca consegui esquecer completamente, trocou-me passado uns dois anos por um totó, porque eu não conseguia assumir a relação. Mesmo quando eu decidi fazer um ultimatum e namorar com ela, escolheu-o a ele.
Nos últimos dois anos voltei a reatar com ela, pelo menos como amigo. Nenhuma mulher com quem me tenha envolvido esteve tão perto de me conseguir conquistar como ela. Quando eu já estava mentalizado que não conseguia viver sem ela, escolheu novamente o mesmo totó. Só que desta vez não fiquei triste, fiquei furioso. Espero que leve uma vida de merda, bem tranquila, que é o que alguém que não ousa arriscar por amor, merece.
As estrangeiras que fui tendo, a alemã, a galega, a italiana e a polaca, nunca passaram de relações a prazo, se é que algumas se poderiam chamar de relações, resultado dos meus problemas com o compromisso. Era sempre garantido que um dia a relação acabaria, quando elas tivessem de partir, e isso estava sempre subentendido, quer se quisesse ignorar esse facto ou não. Para mais, fosse por diferenças culturais, fosse pelo que fosse, nunca senti que poderia confiar em nenhuma delas. E quando a nossa intuição nos dá o sinal de alarme, geralmente nunca se engana.
Depois os outros casos que fui tendo, alguns deles abordados ao longo destes textos, muitos já nem e lembro deles, tal foi a importância que tiveram.
Para piorar a situação cheguei a um ponto em que nada nem ninguém me dá motivação. Desde a polaca do verão que não me apaixonava, e era era tão louca e tão puta que aquela paixão para mim não foi nada saudável. Depois a tal P, ainda me deu algum entusiasmo, mas tinha namorado e teve que passar. Depois C, a colega de escola antiga, depois de tanta hora no msn e FB, pressionei um encontro e berrou. Não falamos há semanas, e o meu último olá não obteve resposta. F afinal era treta. É curioso este caso, pois embora ela me atraisse físicamente eu não me conseguia imaginar com ela. Afinal fizeram-me passar que alguém estava interessado em mim, mas não era ela, era uma amiga da tal Catarina, mas que tem pelo menos mais uns 3 cm do que eu, e com quem também não consigo imaginar grande dupla. É uma cabeça de vento, e mesmo saindo com ela como amigos, ao primeiro rabo de calças que vê, deixa-me sozinho. Evito sair com ela. Fabiana é um caso curioso, apenas porque depois de andarem a lançar essa contra-informação, eu achava que seria ela a interessada. Isso causou-me muita confusão durante uma semana, só até ela aparecer com o novo namorado. Não sei se por algo que fiz ou disse começou uma campanha de ódio contra mim, convencida que eu gosto dela, o que é totalmente falso, nunca achei que fosse o meu género. E mesmo as minha colegas, que sempre vão lançando uns flirts, mas que não me atraem grande coisa, encontrei a mais interessante a caminhar com aquele que devia ser o namorado. Apenas uma amiga de uma colega minha dos tempos do liceu, que fodi uma vez quando estava todo destruído depois da tirolesa, me tentou assediar por net, mas como estou farto de cometer erros com pessoas que não me interessam para além da foda, vou deixar passar.
A minha vida é um deserto, tudo o que podia correr muito mal se revela infinitamente pior, e eu desidrato, murcho e padeço, sem nenhuma réstea de esperança à vista...
Guns N' Roses-Back off Bitch
Não sei porque é que sempre tenho que fugir das gajas mais parvas, que são precisamente as únicas, que, quer eu queira quer não queira, me tentam assediar, manipular, humilhar, mesmo que não tenham qualquer outro interesse. Há muito tempo que decidi que estou melhor sozinho do que com qualquer mulher do mundo, ou pelo menos, melhor do que com aquelas que tenho conhecido. O facto é que as mulheres são muito mais lascivas do que os homens, porque o cio e o desejo sexual nelas é sempre superior ao dos homens. Senão vejamos: porque razão as mulheres são muito mais dependentes das relações e das fodas? Porque se masturbam muito menos, essa é a minha opinião. Eu masturbo-me todos os dias, ou dia sim dia não, e mesmo assim tenho vício. Duvido que uma mulher se masturbe diáriamente, e mesmo duas a três vezes por semana devem ser muito poucas. É fácil fazer o raciocínio, bastava-me estar uma semana sem me vir, e aí aceitava qualquer uma que me desse foda garantida por uma noite, e que não me chateasse muito. Assim são grande parte dos namoros hoje em dia, uma conveniente troca de corpos para o sexo e pouco mais. O problema é que essas facturas se pagam caro, pois há sempre o lado emocional, e se alguém definitivamente não se quer evolver emocionalmente com a primeira pessoa que aparece, como eu, é perfeitamente desnecessário andar ao sabor da maré. E depois ainda nos vêm tentar vender a ideia que temos de nos esforçar porque alguém nos deseja, quando na realidade isso é tudo falso. E depois gostam de manipular.., nem que seja para nos ver patinar em terreno escorregadio para depois virem fazer chacota ou odiar. Porque razão há mulheres que me provocam quando não querem nada comigo? Porque razão, mesmo quando sabem que eu não ando atrás de ninguém, fazem questão de me vir provocar apenas para me tentar confundir ou abalar, para eu pensar que querem algo comigo, quando já têm quem as foda e não têm nenhum interesse por mim? Porque me odeiam depois?
Por muito que me desprezem, concerteza não sentirão uma ínfima parte do nojo que eu sinto pelas personagens em questão. A raiva de alguém que é subitamente acordado de um sono profundo por uma criança mimada, que o faz só para chatear. Num mundo onde a liberdade é o maior bem, o desapego é o grau último de liberdade, e a forma de contornar os condicionalismos que nos vêm impor não é fácil, mas também não é impossível. Eu decido escolher este caminho, pelo menos, não me quero vacilar perante opções que não têm condições para chegar a ser opção, nunca mais. Para quê perder tempo com alguém que não gostamos, apenas para podermos ter sexo regularmente, enquanto não arranjamos alguém que amamos realmente de corpo e alma? A vida é demasiado curta para se perder tempo com erros de casting. Metade do mundo anda assim, por ver andar os outros. Eu não, e a grande maioria das vezes que pus de parte esta ideia, no passado e até recentemente, na tentativa de dar uma foda com um corpo que teimava em dissociar do resto, deu merda. Posso parecer diferente, narcísista, frio, calculista, mas hei-de pensar por mim até ao fim. O amor para mim não é uma moda, é antes de tudo o respeito por mim próprio, o auto-amor. Como poderemos amar alguém se não nos amamos a nós próprios antes de mais?
Sábado, Janeiro 22, 2011
Balanço de 2010
2010 foi um ano calmo, no meio de um turbilhão, onde eu era o furacão que incendiava a balbúrdia, mas só em ambientes com pessoas onde me sentisse bem, os outros evitava-os. No final, o balanço é bom. A primeira fase foi a fase Bukowski, de bebedeiras diárias ininterruptas. Depois veio a fase do Verão. Em Outubro comecei o trabalho, e passei a ser Bukowski apenas no fim de semana.
Desde logo, a hipocrisia metia-me e mete-me nojo, pelo que passei a dar-me apenas com as pessoas boas e a evitar totalmente os psicóticos. Evitei-os em casa e na rua, e voltei às minhas velhas amizades de muitos anos, aqueles que eu conhecia e que são realmente os bons. A conclusão é que os verdadeiros amigos são aqueles que conhecemos há muitos anos, os equilibrados, e são esses que nos ajudam a pôr-mo-nos de pé novamente, quando estamos na merda. Desses não surgem as surpresas desagradáveis, nem o chico-espertismo, nem as bocas. Aos outros temos que aturar, aos que vêm por arrasto, mas até isso podemos controlar, na confiança que lhes damos. Depois ficam chateados e tornam-se mais dóceis.
Apaixonei-me por uma polaca lindíssima, que foi a minha pequena Marylin Monroe por uns tempos, nome que ela não gostava que eu lhe chamasse. Gostava dela, e ela gostava de mim, tentou até forçar a coisa, mas eu cortei-me, e na minha opinião, bem. Mas dificilmente irei encontrar uma mulher que me dê tanta tesão como ela, acho que já não ficava assim desde os meus 18 anos. No final, antes de ela ir embora, deram-me as saudades e foi melhor ainda. Não vou esquecer, por mais anos que viva, a noite e a tarde que passámos nus naquela praia deserta. Mas tinha muitos problemas na cabeça, eu não tinha menos, e foi bom como foi, mais seria mau. No final dizia que estava grávida, e dizia que era meu, mas eu fiz bem as contas e sei que não era. No final já dizia que era de outro, o que a mim não me surpreende, pois cada vez que estive com ela lhe disse que ia ser a última.
De resto foi uma seca, não gostei de ninguém, nada me agitou as águas, pelo menos até ao final do verão. Também não é de admirar, pois a partir de agora escolherei sempre cirurgiamente as mulheres que deixo entrar na minha vida, e psicóticas não me interessam. Queria uma mulher que gostasse tanto de mim como eu dela, e em quem eu pudesse confiar, para o melhor e para o pior. Mas todas me desiludem, essa é que é a verdade. Reencontrei Patrícia, uma paixão platónica antiga de há dois anos atrás, quando andava com a psicótica estrangeira, e voltei a sentir uma química que já não conhecia em mim há muitos meses, que não era apenas sexual. Sentia que ela tinha qualquer coisa na cabeça, e para apesar de ser muito bonita, eu gostava da maneira de ser dela, confiava nela, era mulher para fazer uma vida e me dar um filho, coisa que eu com as outras não conceberia. E depois andei dias e dias com a cabeça nas nuvens, uma paixão assolapada que só se desfez quando soube que ela tinha namorado. Mais a mais ela já não está na cidade, e raramente a vejo. Estive quase para convidá-la para um café, na altura, mas não me quis meter. Tenho quase a certeza que ela também gosta de mim. Ainda no outro dia corou só de me dizer olá. Mas tem namorado, não me meto, desisti.
Depois há Fabiana, uma paixão antiga, mas da qual eu tinha desistido há muitos anos. Ela parece muito mais madura do que então, mas eu sou agora muito mais céptico. Há qualquer coisa nela que me faz desconfiar, talvez por ser demasiado bela, talvez por já me ter deixado ficar mal duas vezes. É certo que eu gosto dela, que isso me deixa a cabeça em água, mas eu combato isso ferozmente, reprimo e nego tudo à espera que passe, o que não é nada fácil, e isto vai-me consumindo. Não sei que faça, gostava de a comer e depois logo se via, mas se me meto na boca do lobo, depois não dá para sair mais. Não sei que faça, já quis tanto desistir disto, já dei o caso por perdido, mas a pressão social é fodida, e em vez de ajudarem, atrapalham. Não sei.
Depois há Catarina, uma colega de escola antiga com quem já tinha ido há uns 4 ou 5 anos, que agora está livre, e com quem tenho falado na net. Já para não falar de Lurdes que exclui à partida por ser maior que eu, e um bocado fútil. E depois existem as chatas, com quem eu só fodi porque andava confuso e que agora me perseguem como se tivessem algum direito sobre mim só porque fodi com elas há meses ou há anos. Essas nem as posso ver.
E depois há outras que se vão interessando por mim, que me despertam até alguma simpatia, mas nã apetite sexual, muito menos desejo de fazer vida com elas.
Sinto que estou num ponto decisivo. Não tenho mais margem de manobra para erros de casting nem para aventuras passageiras. A minha próxima mulher tem que ser alguém de quem eu goste e em quem eu possa confiar, e preferencialmente deste país, o que não deixa de ser um paradoxo, porque provávelmente vou ter de emigrar dentro de pouco tempo (não por xenofobia, mas apenas porque não me quero afastar muito da base, já que os meus pais já estão velhos). A escolha é muito complicada, e manter-me desocupado também, porque não posso entrar em loucuras. Tenho como assente que quero ter um filho daqui a não muitos anos, e a próxima que tiver de ser tem de ser a sério. Sem mas, sem interrogações, e sem dúvidas. Claro como água.
E se demora muitos anos estou fodido. A fazer a vida que levo agora, não duro muitos mais anos.
Domingo, Dezembro 19, 2010
O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento
Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que há a saber — e mais um bocado. Do amor, ninguém sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que é um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer é procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa é o amor que se tem, ou de que sítio vem o amor que se faz.Do amor é bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que não é tão bom amar. Todos os países hão-de ter a sua própria cultura amorosa. A portuguesa é excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, é muito maior a diferença que se faz entre o amor e a paixão. Faz-se de conta que o amor é uma coisa — mais tranquila e pura e duradoura — e a paixão é outra — mais doída e complicada e efémera. Em Portugal, porém, não gostamos de dizer que nos «enamoramos», e o «enamoramento» e outras palavras que contenham a palavra «amor» são-nos sempre um pouco estranhas. Quando nós nos perdemos de amores por alguém, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se lá por que atavismos atlânticos, o amor mete sempre a paixão ao barulho. «Apaixonar-se» é ficar amorosamente rendido a outra pessoa, e tanto o verbo como a carne encontram a sua raiz não tanto no amor como na paixão. O que talvez distinga os portugueses é não distinguirem o amor da paixão. Em Portugal, ama-se sempre apaixonadamente e a maior das paixões, a mais violenta e conturbada, tem sempre o seu bom bocado de delambida meiguice. Os extremos, entre nós, só existem quando se tocam.
O amor português não é um fenómeno ternurento. É grave, como um crime. Os crimes passionais em que somos pródigos são pouco mais do que episódios de amor. Leopardi escreveu uma vez que há duas coisas belas no mundo: o Amor e a Morte. Para os portugueses, essas coisas não são assim tão duas. São só uma. Morrer de amor é mais frequente que amar até à morte. Alguns grandes poetas castelhanos, como Lope de Vega, pasmaram-se com esta confusão em que escolhemos andar. A felicidade jamais é chamada para o assunto. O amor, sempre misturado com a paixão, nunca se vê como um caminho para nada — quanto mais para a felicidade. Na melhor das hipóteses, consiste em ir adiando engraçadamente a desgraça. Todos esperam uma tragédia e ninguém se surpreende muito quando ela acontece.
O amor português está para a felicidade como uma montanha russa para o contentamento: não está. Com o coração na boca é difícil dizer-se seja o que for. Apetece trincá-lo ,e, quando não apetece, é a outra pessoa que enfia o dente. Bem-vinda, como sempre. O amor é a nossa dilecta doença contagiosa. Ciúmes doentios, cenas doentias, alegrias e desilusões, expectativas e saudades... é sempre tudo deliciosamente doentio. A única coisa que não se pode dizer do amor em Portugal é que ele seja só saúde. Não é.
Entre nós, a paixão não é capaz de surgir separada. As enfatuações, as paixonetas e os amoques são problemas que só raramente conseguimos ter. Em cada «fraquinho» que se tenha por alguém, há sempre a força latente de uma paixão e o desejo bem dormido de um grande amor. A atracção exclusivamente física é considerada à parte. Os «fraquinhos» são as predisposições de quem está absolutamente disposto a amar.
A atracção exclusivamente física é normalmente considerada «à parte». Por que é que os homens portugueses dizem das mulheres que acham sexualmente atraentes que são «boas»? Que quererá dizer esta estranha conotação com a bondade? Os restantes povos latinos dizem coisas bastante mais rudes. Os portugueses acham que as mulheres atraentes são «boas» porque, ao contrário daquelas que amam, são insusceptíveis de lhes causar grande maldade. As mulheres por quem nos apaixonamos é que são más. Dão-nos cabo da vida, nós damos cabo da vida delas e, se não fosse uma alegria essa guerra, seria uma paz-de-alma, que é como quem diz, uma miséria.
A razão por que os portugueses querem dizer «amor» e não lhes chega a boca é, porque nada lhes chega jamais. No amor é tecnicamente impossível exagerar. O que é de mais também não farta. É tudo importantíssimo. Qualquer caso é de vida ou de morte. A mínima comédia é um drama. A faca na liga acaba sempre no alguidar. Se ela se serve primeiro do açúcar, se ele chega com um atraso de dois minutos, é porque, de certeza absoluta, já arranjou outro amante. Se a polícia estiver a tentar arrombar-lhe a porta e ele disser «Agora tenho mesmo de desligar o telefone, meu amorzinho», é porque ele está a tentar «despachá-la». Se ele é preso, é apenas uma maneira que arranjou para fugir dela. Se ela espirra, ele imagina logo que ela passou a madrugada num jardim ventoso, nos braços suados de um turco qualquer. Se ela se veste mal, é porque já não quer saber dele. Se se veste bem, é porque quer impressionar outro. Não há gesto, por muito inóxio, que não seja uma facada. O sangue começa logo a jorrar e, mais uma vez, pela sexta vez desde as três da tarde, assiste-se a mais uma chacina. Adoram.
O verbo português que significa «amar e ser amado» é geralmente desconhecido, precisamente porque não cabe na cabeça ou no coração de português nenhum que a sua enorme paixão possa ser correspondida. Nós amamos e os outros fingem que nos amam, só para nos enganar. Em Portugal, o amor não coexiste jamais com a confiança. Quem ama, desconfia, e quem confia é porque não ama. É por isso que o verbo não se usa, apesar de ser bonito («redamar»).
Da mesma maneira, os portugueses que não estão apaixonados passam o tempo a arejar os tornozelos nas salas de espera do costume (bares, discotecas, anúncios classificados), ansiosos por encontrarem um grande amor, e os que já estão apaixonados amaldiçoam o dia em que o encontraram. Cada um acha o descontentamento de uma maneira diferente. A patognomónica portuguesa — a nossa ciência das paixões — é mais «magda-patológica» do que científica. Em português, «feiticeira» também significa «sedutora» e, quando um amor corre mal, vai-se mais à bruxa do que à vida. Andamos todos às aranhas, e aos rabos das serpentes, e às asas de morcego porque encaramos o amor como um encanto, no bom sentido e no pior.
Que repercussões poderá ter a amatividade portuguesa? Em primeiro lugar, vê-se nas caras das pessoas aquele ar sofredor mal dormido que mais não é que o resultado físico da ausência ou da presença do amor, das noites passadas em claro, quer pela primeira razão quer pela segunda. Quando se vêem namorados, há-de se reparar que um deles está sempre sisudo e perturbado e o outro está sempre a rir-se (porque o primeiro está a acusar o segundo de qualquer grande gravidade, e este disfarça como pode). Ou então estão os dois sisudos e perturbados. Se, por algum estranho acaso, estiverem ambos a rir-se, não é por serem felizes, é porque estão os dois a reagir simultaneamente às acusações de traição um do outro.
Em segundo lugar, os homens e mulheres de Portugal andam sempre afragatados, vestidos de um modo esquisito, calculado para induzir no incauto a súbita apetência de paixão. São as unhas compridas dos homens, as unhas pintadas dos pés das mulheres, as camisas com gola comprida Boeing 707, as botifarras de salto alto de camurça amarelo-torrado. Os estrangeiros não compreendem e nós também não.
Se os portugueses conseguissem amar sem paixão, ou sofrer grandes paixões sem amar, seriam todos mais felizes, mas menos interessantes. Confundir o amor com a paixão é a nossa arte particular — o artesanato típico dos nossos trabalhados corações. Somos infelizes, é certo, mas não os trocaríamos por nada. (Quem é que os comprava, também?)
Miguel Esteves Cardoso, in 'A Causa das Coisas'
A Promiscuidade Tira a Vontade
O que é a experiência? Nada. É o número dos donos que se teve. Cada amante é uma coronhada. São mais mil no conta-quilómetros. A experiência é uma coisa que amarga e atrapalha. Não é um motivo de orgulho. É uma coisa que se desculpa. A experiência é um erro repetido e re-repetido até à exaustão. Se é difícil amar um enganador, mais difícil ainda é amar um enganado.Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem «experiente». O número de amantes anteriores é uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ciúme. O pudor que se exige às mulheres não é um conceito ultrapassado — é uma excelente ideia. Só que também se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo é uma coisa trivial. É por isso que temos de torná-lo especial. Ir para a cama com toda a gente é pouco higiénico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E só se libertam quando vale a pena. A castidade é que é «sexy». Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade. Uma mulher gosta de conquistar não o homem que já todas conquistaram, saquearam e pilharam, mas aquele que ainda nenhuma conseguiu tocar. O que é erótico é a resistência, a dificuldade e a raridade. Não é a «liberdade», a facilidade e a vulgaridade. Isto parece óbvio, mas é o contrário do que se faz e do que se diz. Porque será escandaloso dizer, numa época hippificada em que a virgindade é vergonhosa e o amor é bom por ser «livre», que as mulheres querem dos homens aquilo que os homens querem das mulheres? Ser conquistador é ser conquistado. Ninguém gosta de um ser conquistado. O que é preciso conquistar é a castidade.
Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'

