sábado, Março 29, 2014

La Maman et la Putain - La Médiocrité

Jean Eustache - La Maman et la Putain - Je n'aime pas les Héros


O Nojo

Que merda de mundo é este onde uma mulher troca o grande amor da sua vida pelo gajo rico com que a mãe quer que ela case? E sem que eu possa fazer mais o que quer que seja? Estou revoltadissímo com esta merda de mundo e com esta merda de pessoas. Nada. Não quero mais nada da humanidade. Apenas distância. Nojo! Asco. Um profundo desprezo pela raça humana é o que sinto no meu âmago. Se isto é o amor, então aprendi uma grande lição, pois o amor não conta para nada, o que conta são os cifrões, a opinião da mãe, da cunhada e da amiga frustrada solteirona aos quarenta. É assim que vai o mundo. E saber que um dia pensei abdicar de tudo, e ficar nesta terra da parvoeira, porque ainda acreditava no amor. Que nojo de gente, que nojo de mundo, que nojo de vida. Mete nojo, essa falsa ideia que vendem e a que chamam amor.


terça-feira, Fevereiro 25, 2014

La maman et la putain (1973)

"C'est curieux, je n'ai pas cessé de souffrir. Je ne me suis pas accroché à toi, mais à ma souffrance, essayant de la retenir. Te garder prêt de moi pour me garder. Le jour où je ne souffrirai plus, où je m'en "sortirai" comme tu dis, c'est que je serai devenu un autre. Et je n'ai pas envie de devenir un autre. Parce que ce jour-là, nous ne pourrons plus nous retrouver. Tu sais, je ne suis pas dupe. Il y a le temps qui passe, vous ne pourrez pas lutter très longtemps contre lui... Je suis venu aujourd'hui. Mais si tu ne sais pas ce que tu veux, il sera peut-être trop tard quand tu le sauras. Awww... j'en ai assez, je suis fatigué. Tu te souviens de ce film où Michel Simon disait : "Regardez la femme infidèle, regardez l'ami félon", avec cette grandiloquence un peu ridicule et risible que donne la plus grande douleur ou la mort ? Oh et puis merde ! j'en ai assez. Salut !"


sábado, Fevereiro 15, 2014

Solidão

Nunca como hoje, a solidão corrói-me. A dor destrói cada segundo da minha existência. Em tudo falhei, e no mais importante, no amor. O desgosto provoca-me este desespero permanente. Fico sozinho no quarto e só me apetece chorar. Mas nunca sai nenhuma lágrima. Faço uma vida triste, monótona, depressiva. Não tenho amigos. Não falo com ninguém. Só vejo morte à minha volta. Os meus cabelos vão ficando brancos. Começo a compreender o desejo de suicídio. Eu, que sempre fui contra, que sempre dizia o quão estúpidas eram essas pessoas, começo a perceber o ponto a que chegam quando o fazem. Rendo-me a Camus. A esperança de melhores dias esvaneceu-se. Cada última tentativa é um tiro de pólvora seca que só serve para me deixar ainda mais abatido. Já não tenho forças. O grande amor, aquela que era a minha mais bela história de amor virou-me as costas e abandonou-me em definitivo à primeira dificuldade. Trata-me como se tivesse a peste, deixou-me a falar sozinho, não quis mais saber de mim. Ninguém me ama, ninguém pensa em mim, ninguém se lembra que eu existo. Se eu morresse no quarto, ninguém notaria. Seria descoberto apenas quando o cadáver cheirasse mal. Resta-me apenas mais e mais sofrimento, o sentimento de insignificância, e continuar a apodrecer na mais profunda solidão e angústia. Já nada nem ninguém me faz sonhar.

quinta-feira, Fevereiro 13, 2014

The Sound - Silent Air

quinta-feira, Janeiro 16, 2014

O desfecho clássico


Escrevi emails a L., declarei o meu amor, disse que estava arrependido. Estava disposto a abdicar de tudo e ficar com ela para sempre. Nada, nem uma resposta. Esperei escondido que saisse do trabalho para poder vê-la. Apenas a observei ao longe e nem mesmo tenho absoluta certeza de ser ela. Um carro passou e  pegou-a. O ex-namorado concerteza. Fui abandonado por uma mulher que vai casar com quem a mãe quer que ela case, um betinho rico de boas famílias que nunca amou. Resta-me a consolação de também a mim nunca me ter amado, senão o desfecho teria sido bem diferente.

quarta-feira, Janeiro 15, 2014

The Doors - The End


quarta-feira, Janeiro 08, 2014

O homem mais solitário do mundo

Sou o homem mais solitário do mundo. Não tenho ninguém, não posso contar com ninguém, não ocupo um milésimo do pensamento de ninguém. Nenhuma mulher pensa em mim, ninguém me vê, sou transparente, aos olhos dos outros já morri, ou nunca cheguei a nascer. Quando eu morrer ninguém verterá uma lágrima por mim.

Cada dia procuro desesperadamente um nova ilusão, algo a que me possa agarrar, algo com que possa sonhar. Que parece desvanecer-se cada vez mais rápidamente. Tento conhecer uma mulher, iludir-me e tentar mostrar-lhe essa ilusão, ela nem chega a perceber, e no dia seguinte ela passa com outro. Depois, são cada vez mais raras as ilusões, duram cada vez menos tempo, e os deslumbramentos são cada vez mais trágicos e suicidários, arrastam consigo os últimos resquícios de vida que tinha conseguido miraculosamente acumular. Depois é a noite escura, infinita, prolongada, de gelo glaciar, permanente, à qual não consigo escapar por mais que tente, que me paralisa ininterruptamente naquele limiar entre a lágrima que sempre está à porta sem nunca chegar a sair, naquele grito de revolta universal que nunca se chegou a poder dar e frustrado se transfere para os murros surdos no colchão.

Solidão, dor, desilusões e desesperança infinitas. Isto é morrer lentamente, até ao dia em a dor será tanta que não se conseguirá esperar mais...

segunda-feira, Janeiro 06, 2014

Johnny Cash - Hurt