Sexta-feira, Janeiro 13, 2012

Dúvidas

Acabei por ficar com uma mulher lindíssima e interessante, fisicamente magnífica e intelectualmente evoluída (incomparavelmente mais madura nas ideias do que qualquer outra mulher que tenha tido), o que durante bastante tempo me deixou tranquilo e satisfeito. Durante meses não senti vontade de pensar noutras mulheres nem de escrever e desabafar. Mas bastaram pequenas quezílias para as dúvidas assolarem. Ela ama-me incondicionalmente, ou pelo menos assim o diz, e quer ficar comigo para sempre. Eu vou-me deixando andar, mas quando a coisa entra na rotina, volto a pôr tudo em questão.
O desassossego voltou a abalar os pilares do conformismo, e subitamente voltei a desejar outras mulheres. efectivamente, e a fazer viagens ao passado. Primeiro foi Lurdes. É mais alta do que eu, e infinitamente bela. Parece ter tudo o que eu gostaria numa mulher, mas é um pouco superficial. Contudo, conheço-a há anos e é um desejo antigo. Após a  minha saída de cena pareceu ressentir-se e procurar reaproximação. Mas, depois de ter caído na categoria de amigo, o meu interesse por ela esmoreceu. E a sua beleza intimida-me. Nem com as idas ao ginásio me consigo sentir ao nível dela. Mas se soubesse que conseguia, não sei se não arriscaria tudo. Andamos há semanas para tomar um café, porque a actual não quer que eu saia com outras. Mas Lurdes é especial, e as saudades batem. Basta ficar a coisa um pouco tremida para eu me lembrar dela, e do que ficou mal esclarecido.
Depois há a eterna Lúcia. Não há uma única mulher no mundo que me tenha atraído tanto como Lúcia. Foi o melhor sexo e intimidade que já tive com uma mulher até hoje e esse desejo de completude com a outra parte continua insatisfeito, já que nunca voltei a atingir o nível que tinha atingido com ela. Lúcia é a minha metade da laranja, e ainda hoje não há uma semana que eu não pense nela. Contudo é um sentimento ambíguo. Tanto me apetece ir tomar um café ao J&P para ver se a encontro, como logo de seguida me lembro que foi ela que optou por outro e que deitou tudo a perder, e isso dá-me um ódio imenso.Inúmeras vezes dou por mim à procura da página dela no FB ou do nome dela na internet, ou de algo que me faça sentir que ela existe...
E esta actual, merecia ser trocada ou traída, ela que se dedica inteiramente a mim com total empenho e paixão? É óbvio que não! Resistiria eu ao apelo de um desejo fortíssimo sedimentado ao longo destes anos? Não sei...
Entretanto, na minha cabeça vou imaginando realidades paralelas, consciente de que no final continuará tudo na mesma...
Sou feliz? Penso que não. Seria com alguma das outras? Dificilmente.
Seria com outra perdida num passado tão distante e improvável? Impossível saber...

Sábado, Outubro 22, 2011

Saudade

Nunca admitimos as saudades que temos. Mas eu admito que as tenho. E que são tantas... E quem as sente também sabe o que eu sinto...

Segunda-feira, Agosto 15, 2011

O passado já é passado

Gosto da mulher que tenho ao meu lado. Satisfaz-me, por momentos sinto-me feliz.
Acho agora que é normal fazer retrospectivas, quando estamos perante cruzamentos, momentos de decisão. O medo, leva-nos a voltar atrás, para ver o que falhou nas histórias anteriores. Não queremos falhar. E depois é normal que venha a nostalgia, não uma nostalgia de querer voltar atrás a todo o custo imediatamente e reparar o que tinha corrido mal, mas uma nostalgia do que havia antes de terem começado a correr mal e que nunca mais vai voltar a ser igual. Quando sabemos que é impossível voltar atrás, apercebemo-nos de que o passado já não faz mais sentido, e que nunca mais irá voltar a existir nas nossas vidas e que a única novidade que ns surpreende como a uma criança é o carácter finito das oportunidades, do mar imenso de universos paralelos que se vai tornando cada vez menos denso, cada vez mais objectivo. Isso primeiro custa a entranhar e o nosso inconsciente rebela-se, projecta-nos em sonhos os caminhos que se vão fechando com as nossas decisões. Desobedece-nos egoisticamente em desespero de causa, cada vez mais consciente que as janelas se vão fechando e que vamos ficando cada vez mais cativos do futuro, que é o que nos mete verdadeiramente medo...
Eu gosto desta mulher que diz gostar de mim. Mas tenho muito medo do dia de amanhã. Tenho medo de mim próprio e tenho medo dela. Estou muito preocupado com toda a incerteza associada ao futuro...

E não é só no amor. Vivemos um pesadelo a nível planetário, todos os seres humanos desesperam diariamente porque não sabem onde vão arranjar dinheiro para continuar a conseguir viver no dia de amanhã... Estamos entregues a quem não quer que tenhamos uma vida feliz... Cabe-nos a nós, enquanto pudermos, libertarmo-nos das regras do jogo capitalista pelo menos no amor...


Sexta-feira, Agosto 05, 2011

Mulheres da minha vida

Penso em todas as mulheres que tive ao longo da minha vida, e penso qual delas terá sido a mais importante, e com qual delas gostaria de estar agora e ganhar juízo se a vida me tivesse corrido bem.

Mas depois penso: se nunca se arriscou tudo e se nunca se acreditou verdadeiramente é porque nunca realmente gostaram de mim. Então só me resta tentar encontrar alguém que na hora de optar entre mim e outro, acredite e opte sempre por mim.

Sonho de exs

Estava eu num retiro qualquer do tipo um hotel. Há uma mulher muito atraente que me seduz. Sem palavras, vamos para um dos quartos, mas nenhum era fechado, todos eram descobertos de um dos lados, tendo apenas cortinas. Uma amiga, S, descobre-nos e tenta fechar as cortinas. Eu, depois disto, já nem tinha vontade e sentia-me culpado, pelo que não consegui continuar ali. Depois estava já noutro quarto de hotel com B, era hora de jantar e eu deitava fora no lixo grão esmagado em pasta. Preparava-me para sair e comprar uma lata de grão, pedindo desculpa a B por deitar fora a sua comida. A mulher com quem tinha ido antes também estava naquela divisão, bem como xing, F, e a pessoa que mais odeio no mundo, A, que saiu imediatamente.
De repente saio e entro numa casa onde há uma espécie de festa popular. Estão as mesmas pessoas, só que entretanto chega V, a minha primeira namorada dos meus 17, 18 anos, hoje casada. Não consigo deixar de me cruzar com ela e a sua presença incomoda-me.
Saio dessa sala mais tarde, e estou a ver o meu mail, quando me deparo com um mail da italiana a dizer que está na cidade e a convidar-me para uma festa na casa onde eu morara antes. Profiro os mais breves e mais ofensivos impropérios possíveis, e volto para o hotel. Entretanto acordei.

Domingo, Julho 31, 2011

Resignação

De certa forma estou bem, estou feliz. Resignado. Tenho uma cena com uma mulher bonita e inteligente em quem confio minimamente. Mas não consigo deixar de pensar nas que correram mal. E de desejar maliciosamente que essas pessoas não me esqueçam nunca e recordem para sempre a merda que fizeram. E depois disto fico sem vontade nenhuma de ser egoísta e de lixar esta mulher. Até porque a minha consciência não o permite. Mas não consigo deixar de imaginar como seria se conseguisse ter tido com as anteriores o que tenho com esta. Se calhar não era simplesmente possível.

Lúcia

Hoje sonhei com Lúcia, apesar de ter outra mulher a dormir ao meu lado.

Eu acordava e tinha Lúcia deitada a meu lado, nua e bronzeada. Eu levantava-me e chegava à casa de banho, mas não havia sanita e a casa de banho não tinha tecto e estava algo destruída. Então eu ia falar com B, colega e companheiro da casa onde morei antes, que me contou ter desmontado a sanita para "não se estragar". Eu argumentei que não se estragava, que era necessária e para me dizer onde estava que eu ia montá-la. Fui então buscá-la em peças ao sotão da casa dos meus pais, e é curioso que a sanita estava constituída em partes e não numa peça única. Tive então bastantes dificuldades para a conseguir montar no sítio, na casa de banho do último piso, ao fundo do corredor, porque Lúcia precisava de a utilizar.

É justo

Há que ser justo. A cota não é realmente cota, tem mais três anos do que eu e conserva a sua beleza acima da média intacta. Basta dizer que já tinha reparado nela como uma das mulheres mais bonitas que vejo na noite. Depois os equívocos. Ela não fodeu com mais ninguém, eu sou um bocado paranóico. Pelo contrário, não há grandes hipocrisias, é jogo aberto porque ela é tão ciumenta como eu. Depois há o sexo, e aqui ela faz toda a diferença. Basta dizer que consegue retirar o melhor de mim. Não basta. É preciso dizer que passamos dias e horas sempre a foder, como orgasmos de parte a parte facilmente sincronizados e desejo mútuo. E ela mexe-se muitíssimo bem. É justo dizê-lo...

Sexta-feira, Junho 24, 2011

Gonna leave her

Estou farto da velha, da cota, daquela psicótica de merda. Eu não gosto dela, não lhe acho qualidades nenhumas, e a gaja é uma peixeira.

Além disso embaraça-me publicamente, está-me sempre a agarrar e a dar barraca.

E assim fico a ver passar as que me interessam ao lado

Agora suspeito que fodeu com outro, tenho a desculpa perfeita.

A única coisa que tem de bom é que é uma máquina a foder...

Sexta-feira, Junho 17, 2011

Conclusão Final

Dou a volta toda e fico sem nada, chego de mãos vazias. Esfumada a idealização da mulher perfeita, é tempo de sentar, pensar um bocado e lamber as feridas.


Sobra uma pergunta. De todas as que conheço, neste momento, há alguma que me faça ter esperanças, ou alguma que eu sonhasse ter? A resposta é um redondo não.

De todas as que tive até hoje, há alguma que me tenha marcado de forma profunda?
Alguma que eu lamente ter perdido?
Alguma que eu se pudesse voltar a ter, queria mesmo para amar a sério?
Há.


Está definitivamente perdida?
Está.

Segunda-feira, Junho 13, 2011

So lonely

Dilemas

Fico sempre à a espera de quem não chega, mas se chega, nem dou conta, porque estou ocupado com quem não interessa...

Segunda-feira, Maio 30, 2011

Infelicidade

Sou infeliz, sou profundamente infeliz.

Tenho duas mulheres "interessadas" em mim, sendo que uma tem 32 anos e tenho tido sexo regularmente com ela ao fim de semana - sempre bêbados, no final da noite - e a outra 25, embora só tenha ido uma vez com ela, mas temos falado e foi muito bom.

Contudo, e apesar de ambas serem muito bonitas e inteligentes, extraordinariamente acima da média, no final eu andava ainda mais triste porque nenhuma me satisfaz verdadeiramente.

Tanto foi o álcool, impulsionado pela tristeza e o desejo de não pensar, que tive um grave acidente, do qual só resultaram danos materiais. Nessa altura só pensava que esta vida não me levava a lado nenhum: quero encontrar uma mulher fantástica que possa amar e quero ter um filho.

Mas os meus danos emocionais são graves. Não consigo tirar prazer da vida, não consigo encontrar uma mulher com quem me sinta feliz...

Afastei-me das duas e voltei a vir para casa sozinho, por opção.
Parece estranho, até a mim...

Sou infeliz, mas prefiro a solidão do que desperdiçar tempo com enganos...
O tempo escasseia.
Já não me posso dar ao luxo de cometer erros de casting.
O sexo já não significa nada para mim, senão uma perda de tempo precioso.
O que importa mesmo é encontrar a futura mãe dos meus filhos.
Tudo o que me possa desviar desse objectivo é um engano que se paga caro...

Terça-feira, Abril 26, 2011

Desolação

Fui ao Porto, com Maradona e mais duas babes, uma paixão dele que não ata nem desata, e a outra uma menina certinha bem bonitinha, ver um DJ set de um músico famoso. Todas as mulheres naquela pista me pareciam distantes, frias, lésbicas. À minha frente, o picanso entre ele e a babe, mais dois putos que apareceram e que pareciam não ver uma mulher há 20 anos, e a outra babe com um puto qualquer que lá foi ter. Assim que este último puto saia da pista, os outros dois agarravam a miúda e apalpavam-na toda. Eu não compreendia como ela não enxotava aqueles dois desinteressantes imbecis. É psicologia social, sempre se aprende observando.

Aquela viagem de regresso parecia um pesadelo, e eu parecia um nómada num longo deserto interminável. Ao fundo ouvia as cantadas foleiras daqueles putos, um deles um verdadeiro anormal a quem me apetecia estrangular o pescoço. Há pessoas que têm o intestino grosso ligado ao cérebro.

No dia seguinte aquela terrível ressaca, só me apetecia mandar um mail a Patrícia, que afinal descobri não ter namorado, para tomar um café a pretexto de trabalho. Parece ser a única mulher capaz de me entusiasmar, a única capaz de me fazer querer pensar em assentar e ter filhos.

Regressei à cidade e voltei a emborrachar-me até não haver amanhã. No final da noite encontrei Susana, uma mulher dois anos mais velha, de sardas, e com um corpo fulgorante, que já tinha "comido" na discoteca, e que consegui finalizar no sábado, trazendo-a para casa, e fodendo totalmente bêbados e a cair para o lado. Ela quer qualquer coisa mais séria, mas eu não quero mais do que sexo, e tal é o medo que no dia seguinte não quis repetir, apesar de me ter embebedado e de a ter encontrado.

Só consigo pensar em Patrícia, e em como ela seria a mulher ideal para construir uma vida.




Quinta-feira, Março 10, 2011

Quinta-feira à noite

Saí na quinta com uma colega de trabalho por quem ando meio apanhado e que me parece corresponder (aqui há dias sonhei que ela estava sentada em cima de mim enquanto a penetrava), mas ela foi embora com uma amiga viciosa e não quis ficar para sair à noite. Mandou msg a um amigo a quem ia dar boleia para a terrinha, de fim-de-semana. Uma outra colega em comum, que desconfio que espera algo de mim, apesar de ela não me atrair, mandou msg à primeira a perguntar se realmente tinha saído comigo, ciumenta, quando estava farta de saber que sim (tinhamos combinado à frente dela). Eu nem era para sair de todo, mas haviam cortado a luz em casa, por falta de pagamento, há uma semana. Acabei por encontrar o M, um amigo, com quem fomos beber uns copos. Lá encontrei umas alemãs, a quem me abracei e bati uns couros, tentando-me aproveitar. Fui para a discoteca e atirei-me a um rapariga tão boa e grossa, que me dava uma tesão inacreditável, com um corpo que me fazia lembrar o de Lúcia. No final da noite, em que nos roçámos por duas horas, foi embora e só me deixou um número falso.
Quando vinha embora a sair da discoteca, voltei a encontrar Vânia, que me beijou imediatamente, e começámos a curtir. Viémos para casa e demos uma grande foda, apesar da bebedeira. No domingo liguei à da discoteca e descobri que o número era falso. Na segunda comi uma gaja mais velha no meio da pista de outra discoteca, mas ela não quis foder. Estava mascarado e sentia-me como Casanova.
Na terça à noite fui novamente para casa de Vânia, fodemos, dormi lá, e até foi bom. Tive que lhe prometer levar um antibiótico, porque dizia ter apanhado uma infecção urinária por causa de mim, quando isso não é sequer transmissível. Hoje dei-lhe o antibiótico, mas não me quis levar para casa, porque de manhã ia visitar um amigo com quem tinha estado internada. Desiludido, liguei para Liliana, uma antiga colega minha de escola, amiga com quem saio ocasionalmente há vários anos, mas que nuca me deu abébias para foder. Estava doente e não quis sair, depois de eu lhe ter dado duas tampas seguidas depois de ter trazido um gajo para o meu lugar na última festa a que fomos, e a quem não estava a pensar convidar mais.

Entretanto, entrei para um ginásio, que frequento há um mês, e ganhei 4 kilos de peso, e infinitamente mais auto-estima...

No entanto estou confuso, pois no início eu só queria conseguir uma namorada de quem gostasse, que seria a primeira colega de trabalho que tinha referido, e não sei se esta confusão me vai fazer mal à cabeça.

Agora estou a pensar se devia sair hoje ou não, porque amanhã tenho de trabalhar.

Sexta-feira, Fevereiro 04, 2011

Morreu Maria Schnider








Para ver os excertos carregem no link, porque os fdp da MGM cotaram os conteúdos e a incorporação.




Fiquei especialmente triste neste dia. Por várias razões. A primeira é porque morreu Maria Schneider, uma das mais belas atrizes de sempre, cuja inocência e naturalidade ficarão para sempre imortalizadas neste filme, também ela uma figura trágica, que sempre odiou os homens devido ao facto do seu pai, um actor famoso, nunca a ter reconhecido como filha. Consequência disso ou não, apesar de Brigit Bardot a ter resgatado das ruas de Paris e a ter ajudado a começar a sua carreira de atriz, devido ao conhecimento desse facto, Schneider nunca deixou de fazer uma vida errante, envolta em polémica. Fugiu de casa da mãe aos 15 anos para Paris, onde tentou encontrar o pai que não a reconheceu e a deixou abandonada nas ruas. Foi então que B.B. a tentou ajudar. Mas mesmo depois do sucesso que foi o Último Tango em Paris, não conseguiu lidar com a fama e acabou afundada em drogas, sofrendo três overdoses e tendo sobrevivido quase por milagre. Antonioni resgatou-a em 75 para fazer outra obra prima "The Passenger", ou "Professione: Aka Reporter". Nos anos 80 conseguiu vencer o vício, com a ajuda da sua companheira, e foi conseguindo manter uma carreira intermitente, realizando perto de 40 filmes.





Mas a mim pessoalmente, o que me deixa profundamente triste, é que este filme, que muitos disseram ser auto-biográfico para Marlon Brando, também o é para mim. Jeanne foi para mim Lúcia, não só pela aparência física, mas também porque aquele quarto simbolizava para nós este apartamento. Também ela se sentia subjugada a alguém mais velho, não muito mais velho que ela físicamente, mas tão velho e destroçado psicológicamente como ele. Tal como Brando, também eu tentei deixar o mundo fora daquele quarto, não perguntando nem exigindo nada da vida dela, e não permitindo que ela tomasse conta da minha. E depois o sexo, o melhor sexo que tivémos até hoje, idêntico aquela paixão que vemos no filme, só que na minha opinião, ainda mais forte porque sentido como se não houvesse amanhã e nada mais importasse. Lúcia queria que eu a amasse desesperadamente, melhor, que eu demonstrasse que a amava desesperadamente, com num qualquer ultra-romantismo no sexo XXVIII, e por ver que eu era incapaz de o demonstrar, deixou-me, trocou-me pelo aborrecido realizador de cinema de Jeanne, dando-me um tiro metaforizado, como no filme, ao deixar-me para sempre, não sem antes dançar um último tango, depois de três anos de intervalo. Dou voltas e voltas à minha cabeça e não consego deixar de pensar nisto e de ficar profundamente deprimido. Porque razão não consegui eu amá-la dessa forma platónica que se ama sempre alguém que não se consegue ter? Porque razão ainda penso e ainda suspiro por ela todas as noites? Porque razão sempre recordo essas tardes e noites fechados naquele quarto como os dias mais felizes da minha vida? Porque razão só consegui perceber isso depois de levar o tiro e de a perder para sempre? Porque razão não considera ela isso amor, se foram os momentos mais felizes que vivi em toda a minha vida e aqueles que recordo e mantenho vivos na minha memória diáriamente, para sempre? Porque razão ela teve de me matar, precisamente no ponto em que podíamos ter deixado as merdas, sermos sinceros um com um outro, e dar uma oportunidade a nós dois agora que havia condições para isso?



Depois de ela me deixar, destroçado, conheci a polaca, tentei ser Brando o tempo todo, mas também me deu um tiro à primeira oportunidade. Desde aí, nada. Mataram-me, e caí prostrado..

Sinto-me sozinho e triste, porque a felicidade de que tanto falam, e que é soberbamente retaratada neste filme, nós tinhamo-la, e deixámo-la fugir. Hoje percebo que essa felicidade é a única coisa que realmente é importante. E o mundo está cheio de casos trágicos de gente que a deixou escapar, convencidos de que seria uma coisa banal, e que não mais a voltou encontrar até morrer...



E depois ao ver o excerto 1, desço ainda mais fundo na minha desolação. Vem-me à memória o dia em que estive debaixo daquela mesma ponte onde começa o filme, com a mulher mais perturbada que conheci em toda a minha vida, uma autêntica metáfora da mulher do personagem de Brando no filme, aquela que se suicidou. A cena do velório, no monólogo que ele faz quando está sozinho, não podia simbolizar melhor aquilo que senti por ela. Tanta coisa para, no final, voltar a sentir-me actualmente como Brando, nessa cena inicial, andando à deriva, antes de ser ultrapassado por Jeanne, justamente como eu estava, antes de tudo isto me ter acontecido...

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2011

Quando tudo falha


No final, quando tudo falha, vem sempre um sentimento de desalento. A bem ver, tudo o que de pior pode acontecer, sempre acontece. Todas as minhas paixões foram tragédias. E no final vem o balanço. Vânia, a minha paixão do final da adolescência, depois dos meus primeiros anos de Universidade, casou e teve um filho. Pelo meio ainda nos reencontrámos, e cheguei mesmo a temer que o filho fosse meu, depois de uma provocação de um colega, e não era, tenho quase seguramente a certeza mas ainda vou tirar isso a limpo com uma amiga para que não reste nenhuma dúvida.

Depois D, por quem tive uma paixão assolapada e a quem dedicava muitos destes textos por alturas de 2003/2004, nunca passou de uma paixão platónica. Quando a voltei a ver, passados estes anos todos, no verão e há uns dois meses, estava com o namorado que eu também conhecia e nem tive coragem de a cumprimentar.

Lúcia, com que eu tive um caso por essa altura e que nunca consegui esquecer completamente, trocou-me passado uns dois anos por um totó, porque eu não conseguia assumir a relação. Mesmo quando eu decidi fazer um ultimatum e namorar com ela, escolheu-o a ele.
Nos últimos dois anos voltei a reatar com ela, pelo menos como amigo. Nenhuma mulher esteve tão perto de me conseguir conquistar como ela. Quando eu já estava mentalizado que não conseguia viver sem ela, escolheu novamente o mesmo totó. Só que desta vez não fiquei triste, fiquei furioso. Espero que leve uma vida de merda, bem tranquila, que é o que alguém que não ousa arriscar por amor, merece.

As estrangeiras que fui tendo, a alemã, a galega, a italiana e a polaca, nunca passaram de relações a prazo, se é que algumas se poderiam chamar de relações, resultado dos meus problemas com o compromisso. Era sempre garantido que um dia a relação acabaria, quando elas tivessem de partir, e isso estava sempre subentendido, quer se quisesse ignorar esse facto ou não. E depois, fosse por diferenaçs culturais, fosse pelo que fosse, nunca senti que poderia confiar em nenhuma delas. E quando a nossa intuição nos dá o sinal de alarme, geralmente nunca se engana.

Depois os outros casos que fui tendo, alguns deles abordados ao longo destas histórias, muitos já nem e lembro deles, tal foi a importância que tiveram.

Para piorar a situação cheguei a um ponto em que nada nem ninguém me dá motivação. esde a polaca do verão que não me apaixonava, e era era tão louca e tão puta que aquela paixão para mim não foi nada saudável. Depois a tal Patrícia, ainda me deu algum entusiasmo, mas tinha namorado e teve que passar. Depois Catarina, a colega de escola antiga, depois de tanta hora no msn e FB, pressionei um encontro e berrou. Não falamos há semanas, e o meu último olá não obteve resposta. Fabiana afinal era treta. É curioso este caso pois embora ela me atraisse físicamente eu não me conseguia imaginar com ela. Afinal fizeram-me passar que alguém estava interessado em mim, mas não era ela, era uma amiga da tal Catarina, mas que tem pelo menos mais uns 3 cm do que eu, e com quem também não consigo imaginar grande dupla. É uma cabeça de vento, e mesmo saindo com ela como amigos, ao primeiro rabo de calças que vê, deixa-me sozinho. Evito sair com ela. Fabiana é um caso curioso, apenas porque depois de andarem a lançar essa contra-informação, eu achava que seria ela a interessada. Isso causou-me muita confusão durante uma semana, só até ela aparecer com o novo namorado. Não sei se por algo que fiz ou disse começou uma campanha de ódio contra mim, convencida que eu gosto dela, o que é totalmente falso, nunca achei que fosse o meu género. E mesmo as minha colegas, que sempre vão lançando uns flirts, mas que não me atraem grande coisa, encontrei a mais interessante a caminhar com aquele que devia ser o namorado. Apenas uma amiga de uma colega minha dos tempos do liceu, que fodi uma vez quando estava todo destruído depois da italiana me tentou assediar por net, mas como estou farto de cometer erros com pessoas que não me interessam para além da foda, vou deixar passar.

A minha vida é um deserto, tudo o que podia correr muito mal se revela infinitamente pior, e eu desidrato, murcho e padeço, sem nenhuma réstea de esperança à vista...


Guns N' Roses-Back off Bitch


Não sei porque é que sempre tenho que fugir das gajas mais parvas, que são precisamente as únicas, que, quer eu queira quer não queira, me tentam assediar, manipular, humilhar, mesmo que não tenham qualquer outro interesse. Há muito tempo que decidi que estou melhor sozinho do que com qualquer mulher do mundo, ou pelo menos, melhor do que com aquelas que tenho conhecido. O facto é que as mulheres são muito mais lascivas do que os homens, porque o cio e o desejo sexual nelas é sempre superior ao dos homens. Senão vejamos: porque razão as mulheres são muito mais dependentes das relações e das fodas? Porque se masturbam muito menos, essa é a minha opinião. Eu masturbo-me todos os dias, ou dia sim dia não, e mesmo assim tenho vício. Duvido que uma mulher se masturbe diáriamente, e mesmo duas a três vezes por semana devem ser muito poucas. É fácil fazer o raciocínio, bastava-me estar uma semana sem me vir, e aí aceitava qualquer uma que me desse foda garantida por uma noite, e que não me chateasse muito. Assim são grande parte dos namoros hoje em dia, uma conveniente troca de corpos para o sexo e pouco mais. O problema é que essas facturas se pagam caro, pois há sempre o lado emocional, e se alguém definitivamente não se quer evolver emocionalmente com a primeira pessoa que aparece, como eu, é perfeitamente desnecessário andar ao sabor da maré. E depois ainda nos vêm tentar vender a ideia que temos de nos esforçar porque alguém nos deseja, quando na realidade isso é tudo falso. E depois gostam de manipular.., nem que seja para nos ver patinar em terreno escorregadio para depois virem fazer chacota ou odiar. Porque razão há mulheres que me provocam quando não querem nada comigo? Porque razão, mesmo quando sabem que eu não ando atrás de ninguém, fazem questão de me vir provocar apenas para me tentar confundir ou abalar, para eu pensar que querem algo comigo, quando já têm quem as foda e não têm nenhum interesse por mim? Porque me odeiam depois?
Por muito que me desprezem, concerteza não sentirão uma ínfima parte do nojo que eu sinto pelas personagens em questão. A raiva de alguém que é subitamente acordado de um sono profundo por uma criança mimada, que o faz só para chatear. Num mundo onde a liberdade é o maior bem, o desapego é o grau último de liberdade, e a forma de contornar os condicionalismos que nos vêm impor não é fácil, mas também não é impossível. Eu decido escolher este caminho, pelo menos, não me quero vacilar perante opções que não têm condições para chegar a ser opção, nunca mais. Para quê perder tempo com alguém que não gostamos, apenas para podermos ter sexo regularmente, enquanto não arranjamos alguém que amamos realmente de corpo e alma? A vida é demasiado curta para se perder tempo com erros de casting. Metade do mundo anda assim, por ver andar os outros. Eu não, e a grande maioria das vezes que pus de parte esta ideia, no passado e até recentemente, na tentativa de dar uma foda com um corpo que teimava em dissociar do resto, deu merda. Posso parecer diferente, narcísista, frio, calculista, mas hei-de pensar por mim até ao fim. O amor para mim não é uma moda, é antes de tudo o respeito por mim próprio, o auto-amor. Como poderemos amar alguém se não nos amamos a nós próprios antes de mais?

Sábado, Janeiro 22, 2011

Balanço de 2010

2010 foi um ano calmo, no meio de um turbilhão, onde eu era o furacão que incendiava a balbúrdia, mas só em ambientes com pessoas onde me sentisse bem, os outros evitava-os. No final, o balanço é bom. A primeira fase foi a fase Bukowski, de bebedeiras diárias ininterruptas. Depois veio a fase do Verão. Em Outubro comecei o trabalho, e passei a ser Bukowski apenas no fim de semana.

Desde logo, a hipocrisia metia-me e mete-me nojo, pelo que passei a dar-me apenas com as pessoas boas e a evitar totalmente os psicóticos. Evitei-os em casa e na rua, e voltei às minhas velhas amizades de muitos anos, aqueles que eu conhecia e que são realmente os bons. A conclusão é que os verdadeiros amigos são aqueles que conhecemos há muitos anos, os equilibrados, e são esses que nos ajudam a pôr-mo-nos de pé novamente, quando estamos na merda. Desses não surgem as surpresas desagradáveis, nem o chico-espertismo, nem as bocas. Aos outros temos que aturar, aos que vêm por arrasto, mas até isso podemos controlar, na confiança que lhes damos. Depois ficam chateados e tornam-se mais dóceis.

Apaixonei-me por uma polaca lindíssima, que foi a minha pequena Marylin Monroe por uns tempos, nome que ela não gostava que eu lhe chamasse. Gostava dela, e ela gostava de mim, tentou até forçar a coisa, mas eu cortei-me, e na minha opinião, bem. Mas dificilmente irei encontrar uma mulher que me dê tanta tesão como ela, acho que já não ficava assim desde os meus 18 anos. No final, antes de ela ir embora, deram-me as saudades e foi melhor ainda. Não vou esquecer, por mais anos que viva, a noite e a tarde que passámos nus naquela praia deserta. Mas tinha muitos problemas na cabeça, eu não tinha menos, e foi bom como foi, mais seria mau. No final dizia que estava grávida, e dizia que era meu, mas eu fiz bem as contas e sei que não era. No final já dizia que era de outro, o que a mim não me surpreende, pois cada vez que estive com ela lhe disse que ia ser a última.

De resto foi uma seca, não gostei de ninguém, nada me agitou as águas, pelo menos até ao final do verão. Também não é de admirar, pois a partir de agora escolherei sempre cirurgiamente as mulheres que deixo entrar na minha vida, e psicóticas não me interessam. Queria uma mulher que gostasse tanto de mim como eu dela, e em quem eu pudesse confiar, para o melhor e para o pior. Mas todas me desiludem, essa é que é a verdade. Reencontrei Patrícia, uma paixão platónica antiga de há dois anos atrás, quando andava com a psicótica estrangeira, e voltei a sentir uma química que já não conhecia em mim há muitos meses, que não era apenas sexual. Sentia que ela tinha qualquer coisa na cabeça, e para apesar de ser muito bonita, eu gostava da maneira de ser dela, confiava nela, era mulher para fazer uma vida e me dar um filho, coisa que eu com as outras não conceberia. E depois andei dias e dias com a cabeça nas nuvens, uma paixão assolapada que só se desfez quando soube que ela tinha namorado. Mais a mais ela já não está na cidade, e raramente a vejo. Estive quase para convidá-la para um café, na altura, mas não me quis meter. Tenho quase a certeza que ela também gosta de mim. Ainda no outro dia corou só de me dizer olá. Mas tem namorado, não me meto, desisti.

Depois há Fabiana, uma paixão antiga, mas da qual eu tinha desistido há muitos anos. Ela parece muito mais madura do que então, mas eu sou agora muito mais céptico. Há qualquer coisa nela que me faz desconfiar, talvez por ser demasiado bela, talvez por já me ter deixado ficar mal duas vezes. É certo que eu gosto dela, que isso me deixa a cabeça em água, mas eu combato isso ferozmente, reprimo e nego tudo à espera que passe, o que não é nada fácil, e isto vai-me consumindo. Não sei que faça, gostava de a comer e depois logo se via, mas se me meto na boca do lobo, depois não dá para sair mais. Não sei que faça, já quis tanto desistir disto, já dei o caso por perdido, mas a pressão social é fodida, e em vez de ajudarem, atrapalham. Não sei.

Depois há Catarina, uma colega de escola antiga com quem já tinha ido há uns 4 ou 5 anos, que agora está livre, e com quem tenho falado na net. Já para não falar de Lurdes que exclui à partida por ser maior que eu, e um bocado fútil. E depois existem as chatas, com quem eu só fodi porque andava confuso e que agora me perseguem como se tivessem algum direito sobre mim só porque fodi com elas há meses ou há anos. Essas nem as posso ver.

E depois há outras que se vão interessando por mim, que me despertam até alguma simpatia, mas nã apetite sexual, muito menos desejo de fazer vida com elas.

Sinto que estou num ponto decisivo. Não tenho mais margem de manobra para erros de casting nem para aventuras passageiras. A minha próxima mulher tem que ser alguém de quem eu goste e em quem eu possa confiar, e preferencialmente deste país, o que não deixa de ser um paradoxo, porque provávelmente vou ter de emigrar dentro de pouco tempo (não por xenofobia, mas apenas porque não me quero afastar muito da base, já que os meus pais já estão velhos). A escolha é muito complicada, e manter-me desocupado também, porque não posso entrar em loucuras. Tenho como assente que quero ter um filho daqui a não muitos anos, e a próxima que tiver de ser tem de ser a sério. Sem mas, sem interrogações, e sem dúvidas. Claro como água.

E se demora muitos anos estou fodido. A fazer a vida que levo agora, não duro muitos mais anos.



Domingo, Dezembro 19, 2010

O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento


Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que há a saber — e mais um bocado. Do amor, ninguém sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que é um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer é procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa é o amor que se tem, ou de que sítio vem o amor que se faz.

Do amor é bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que não é tão bom amar. Todos os países hão-de ter a sua própria cultura amorosa. A portuguesa é excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, é muito maior a diferença que se faz entre o amor e a paixão. Faz-se de conta que o amor é uma coisa — mais tranquila e pura e duradoura — e a paixão é outra — mais doída e complicada e efémera. Em Portugal, porém, não gostamos de dizer que nos «enamoramos», e o «enamoramento» e outras palavras que contenham a palavra «amor» são-nos sempre um pouco estranhas. Quando nós nos perdemos de amores por alguém, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se lá por que atavismos atlânticos, o amor mete sempre a paixão ao barulho. «Apaixonar-se» é ficar amorosamente rendido a outra pessoa, e tanto o verbo como a carne encontram a sua raiz não tanto no amor como na paixão. O que talvez distinga os portugueses é não distinguirem o amor da paixão. Em Portugal, ama-se sempre apaixonadamente e a maior das paixões, a mais violenta e conturbada, tem sempre o seu bom bocado de delambida meiguice. Os extremos, entre nós, só existem quando se tocam.

O amor português não é um fenómeno ternurento. É grave, como um crime. Os crimes passionais em que somos pródigos são pouco mais do que episódios de amor. Leopardi escreveu uma vez que há duas coisas belas no mundo: o Amor e a Morte. Para os portugueses, essas coisas não são assim tão duas. São só uma. Morrer de amor é mais frequente que amar até à morte. Alguns grandes poetas castelhanos, como Lope de Vega, pasmaram-se com esta confusão em que escolhemos andar. A felicidade jamais é chamada para o assunto. O amor, sempre misturado com a paixão, nunca se vê como um caminho para nada — quanto mais para a felicidade. Na melhor das hipóteses, consiste em ir adiando engraçadamente a desgraça. Todos esperam uma tragédia e ninguém se surpreende muito quando ela acontece.

O amor português está para a felicidade como uma montanha russa para o contentamento: não está. Com o coração na boca é difícil dizer-se seja o que for. Apetece trincá-lo ,e, quando não apetece, é a outra pessoa que enfia o dente. Bem-vinda, como sempre. O amor é a nossa dilecta doença contagiosa. Ciúmes doentios, cenas doentias, alegrias e desilusões, expectativas e saudades... é sempre tudo deliciosamente doentio. A única coisa que não se pode dizer do amor em Portugal é que ele seja só saúde. Não é.
Entre nós, a paixão não é capaz de surgir separada. As enfatuações, as paixonetas e os amoques são problemas que só raramente conseguimos ter. Em cada «fraquinho» que se tenha por alguém, há sempre a força latente de uma paixão e o desejo bem dormido de um grande amor. A atracção exclusivamente física é considerada à parte. Os «fraquinhos» são as predisposições de quem está absolutamente disposto a amar.

A atracção exclusivamente física é normalmente considerada «à parte». Por que é que os homens portugueses dizem das mulheres que acham sexualmente atraentes que são «boas»? Que quererá dizer esta estranha conotação com a bondade? Os restantes povos latinos dizem coisas bastante mais rudes. Os portugueses acham que as mulheres atraentes são «boas» porque, ao contrário daquelas que amam, são insusceptíveis de lhes causar grande maldade. As mulheres por quem nos apaixonamos é que são más. Dão-nos cabo da vida, nós damos cabo da vida delas e, se não fosse uma alegria essa guerra, seria uma paz-de-alma, que é como quem diz, uma miséria.

A razão por que os portugueses querem dizer «amor» e não lhes chega a boca é, porque nada lhes chega jamais. No amor é tecnicamente impossível exagerar. O que é de mais também não farta. É tudo importantíssimo. Qualquer caso é de vida ou de morte. A mínima comédia é um drama. A faca na liga acaba sempre no alguidar. Se ela se serve primeiro do açúcar, se ele chega com um atraso de dois minutos, é porque, de certeza absoluta, já arranjou outro amante. Se a polícia estiver a tentar arrombar-lhe a porta e ele disser «Agora tenho mesmo de desligar o telefone, meu amorzinho», é porque ele está a tentar «despachá-la». Se ele é preso, é apenas uma maneira que arranjou para fugir dela. Se ela espirra, ele imagina logo que ela passou a madrugada num jardim ventoso, nos braços suados de um turco qualquer. Se ela se veste mal, é porque já não quer saber dele. Se se veste bem, é porque quer impressionar outro. Não há gesto, por muito inóxio, que não seja uma facada. O sangue começa logo a jorrar e, mais uma vez, pela sexta vez desde as três da tarde, assiste-se a mais uma chacina. Adoram.

O verbo português que significa «amar e ser amado» é geralmente desconhecido, precisamente porque não cabe na cabeça ou no coração de português nenhum que a sua enorme paixão possa ser correspondida. Nós amamos e os outros fingem que nos amam, só para nos enganar. Em Portugal, o amor não coexiste jamais com a confiança. Quem ama, desconfia, e quem confia é porque não ama. É por isso que o verbo não se usa, apesar de ser bonito («redamar»).

Da mesma maneira, os portugueses que não estão apaixonados passam o tempo a arejar os tornozelos nas salas de espera do costume (bares, discotecas, anúncios classificados), ansiosos por encontrarem um grande amor, e os que já estão apaixonados amaldiçoam o dia em que o encontraram. Cada um acha o descontentamento de uma maneira diferente. A patognomónica portuguesa — a nossa ciência das paixões — é mais «magda-patológica» do que científica. Em português, «feiticeira» também significa «sedutora» e, quando um amor corre mal, vai-se mais à bruxa do que à vida. Andamos todos às aranhas, e aos rabos das serpentes, e às asas de morcego porque encaramos o amor como um encanto, no bom sentido e no pior.

Que repercussões poderá ter a amatividade portuguesa? Em primeiro lugar, vê-se nas caras das pessoas aquele ar sofredor mal dormido que mais não é que o resultado físico da ausência ou da presença do amor, das noites passadas em claro, quer pela primeira razão quer pela segunda. Quando se vêem namorados, há-de se reparar que um deles está sempre sisudo e perturbado e o outro está sempre a rir-se (porque o primeiro está a acusar o segundo de qualquer grande gravidade, e este disfarça como pode). Ou então estão os dois sisudos e perturbados. Se, por algum estranho acaso, estiverem ambos a rir-se, não é por serem felizes, é porque estão os dois a reagir simultaneamente às acusações de traição um do outro.

Em segundo lugar, os homens e mulheres de Portugal andam sempre afragatados, vestidos de um modo esquisito, calculado para induzir no incauto a súbita apetência de paixão. São as unhas compridas dos homens, as unhas pintadas dos pés das mulheres, as camisas com gola comprida Boeing 707, as botifarras de salto alto de camurça amarelo-torrado. Os estrangeiros não compreendem e nós também não.

Se os portugueses conseguissem amar sem paixão, ou sofrer grandes paixões sem amar, seriam todos mais felizes, mas menos interessantes. Confundir o amor com a paixão é a nossa arte particular — o artesanato típico dos nossos trabalhados corações. Somos infelizes, é certo, mas não os trocaríamos por nada. (Quem é que os comprava, também?)

Miguel Esteves Cardoso, in 'A Causa das Coisas'

A Promiscuidade Tira a Vontade


O que é a experiência? Nada. É o número dos donos que se teve. Cada amante é uma coronhada. São mais mil no conta-quilómetros. A experiência é uma coisa que amarga e atrapalha. Não é um motivo de orgulho. É uma coisa que se desculpa. A experiência é um erro repetido e re-repetido até à exaustão. Se é difícil amar um enganador, mais difícil ainda é amar um enganado.
Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem «experiente». O número de amantes anteriores é uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ciúme. O pudor que se exige às mulheres não é um conceito ultrapassado — é uma excelente ideia. Só que também se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo é uma coisa trivial. É por isso que temos de torná-lo especial. Ir para a cama com toda a gente é pouco higiénico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E só se libertam quando vale a pena. A castidade é que é «sexy». Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.

Uma mulher gosta de conquistar não o homem que já todas conquistaram, saquearam e pilharam, mas aquele que ainda nenhuma conseguiu tocar. O que é erótico é a resistência, a dificuldade e a raridade. Não é a «liberdade», a facilidade e a vulgaridade. Isto parece óbvio, mas é o contrário do que se faz e do que se diz. Porque será escandaloso dizer, numa época hippificada em que a virgindade é vergonhosa e o amor é bom por ser «livre», que as mulheres querem dos homens aquilo que os homens querem das mulheres? Ser conquistador é ser conquistado. Ninguém gosta de um ser conquistado. O que é preciso conquistar é a castidade.

Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'

Não Deixes Que Metam o Nariz na Tua Vida


Quando falas ou simulas falar de ti próprio e amalgamas passado, presente, futuro, há sempre os que perguntam se o que contaste é verdade ou não. Nunca indagam se vai ser verdade. O que lhes interessa é saber, com a curiosidade dos intriguistas, se o que se passou (ou parece ter-se passado) se passou mesmo contigo. É um erro de gente vulgar. Parasitários ou não, qualquer invenção ou patranha, qualquer «mentir verdadeiro» é acepipe biográfico, é pretexto para te enfileirarem na nulidade biográfica que é a deles próprios e tecerem incansavelmente histórias a teu respeito.
Não te deixes seduzir pelo gosto da conversa. Essa pequena gente não merece a mais pequena atenção, nem tu precisas de espectadores para o salutar exercício diário de falar por falar.
(...) Não deixes que metam o nariz na tua vida. Caso contrário, vais ficar cheio de gente, com a sua vida escassamente interessante. O tombo da vida vulgar já foi feito por escritores como Camilo. E tenho a impressão de que, no essencial, a vida vulgar continua a mesma.
Desunha-te a escrever (olha que já tens pouco tempo!), mas fá-lo com a discrição e a reserva de quem não se dá às primeiras. É outro exercício salutar.

Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"

Quinta-feira, Dezembro 09, 2010

Gorda Complexada Vira Puta


Se era assim tão bom, porque se deixou disso?

Sexta-feira, Novembro 26, 2010

The Secret of Don Draper's Sex AppealI

O coxo de amores morre, que fará quem anda e pode.
O dia de amanhã ainda ninguém o viu.
O desejo faz o formoso do feio.
O desconhecido sempre parece sublime.
O dia descobre a terra, a noite descobre os céus.

Provérbios sobre Calar

"Quem cala, consente."

"Antes bem calar que mal falar."

"O calado ganha sempre."

"Mais vale calar, que muito falar."

"Quem sabe calar, evita guerrear."

"Bom é saber calar, até ser tempo de falar."

"Quem não sabe calar, também não sabe falar."

"De calar ninguém se arrepende, e de falar, sempre."

"Mais vale o calar do mudo, que o falar do mentiroso."

"Vale mais nada dizer, que dizer nada."

"Quem cala, colhe, e quem fala, semeia."

"É melhor calado do que cantar desafinado."

"Calar é melhor que mal falar."

"Ao bem calar chamam santo."

"Calar a verdade é enterrar ouro."

"Quem cala, consente, mas não sempre."

"Calar é a sabedoria dos tolos."

"O calado vence tudo."

"Quem cala, confessa."

"Quem cala, vence."

Friendship

I was not madly enloved with L, I don't know why, but there were times when I felt like I wanted to be with her in a bed forever. And I worry about her. A lot. Believe me when I wish her to be happy with her life, no matter what options she takes, as long as she thinks for herself. And we all know that I could not make no one happy, because I'm not hypocrite. I can not fake that so called idealised love. And I don't want to interfere with other person decisions. Mabe only now I can see her as a real friend. But real friends are always there for you, whenever you need, like she was there for me, when I needed it.

So, if you ever need me, no matter what or how long, don't hesitate to ask.
I don´t owe her anythin, it's because I feel it in my heart, not because I feel obligated.
-I'm still the same person and I wish you're well-

A nova perspectiva

A minha nova perspectiva agora é não falar desnecessáriamente. Menos é mais. Falar apenas o mínimo, excepto quando houver uma mulher bonita que eu gostasse de levar para um sítio e foder. O silêncio pode ser ouro. O calado vence tudo.

A morte do romantismo bacoco é a renovação do espírito e a revolução do sexo.


Street Talk

He: Are you ok?
She: We were fucking in the steet, you were inside me, and now you ask me if I'm ok?

Quinta-feira, Novembro 25, 2010

Different Me's

Sometimes I feel like Don Draper, sometimes I feel like Nate Fisher.

Ando stressado e não tenho tempo para curtir.

Tenho em mim muitos eus e muitos outros

Tenho muitos eus dentro de mim. Uns gostam disto, outros não. Uns querem acabar o curso e começar a trabalhar, outros viajar, outros não fazer nenhum, outros só curtir. Outros deixar de fumar, outros praticar natação, outros serem obssecados com a comida, outros entrar num ginásio, outros coçá-los. Alguns querem beber à noite e sair todas as noites, outros ficar em casa no computador, outros verem séries e filmes, outros masturbarem-se, outros dormirem. Outros querem fumar erva, outros deixar de fumar tabaco, outros fumam um maço, outros compram e bebem garrafas de vinho sozinhos, outros bebem durante horas e horas seguidas, regressando a casa só para dormir e às vezes nem isso, uns drogam-se muito e outros nada.

Uns gostam de mil ao mesmo tempo, outros não gostam de nenhuma durante meses, uns fodem aqui e acolá, outros não querem foder nada, uns só têm paixões platónicas, outros só têm desilusões, uns têm relacionamentos, outros nem vê-los, uns são encornados, outros encornam. Outros fodem nada e depois fodem muito, outros não querem nada, outros querem tudo.

Eu não quero nada, não dependo de ninguém, não gosto de ninguém, não me imagino com ninguém, nem preso a nada, totalmente livre e despreocupado. Fui fodendo apenas quem quis e me quis.
E ainda assim sinto-me miserável...

Me and myself

I've realised that I like and that I need to be alone, sometimes. To be on your feet is to get to know yourself, and without that, I would'll be a different person. Someone more stupid or alienated. I like to be who I am, and to be what I am, and to feel that I am thinking by myself, and on control. Even if I'm under certain effect. And although is true that I, sometimes, I feel happyer when I'm with a girl who I can feel alive with, like in a diferent dimension, and without having to expreess my inner me, there, I feel like I need that to feel tottaly free to love her without having to worry.
Feeling free to make love with a woman that wishes me as much as I wish her is rare, but it's the most high I could ever get. If we both don't reach that point, there's no real pleasure, and I'll prefer to be alone.

Segunda-feira, Novembro 22, 2010

D Day

I could not speak to you. I could not face you. I've panicked. I froze.
I keep thinking that you are with him, that I'm going to make a foul of myself, or I feel ashamed because of me saying these things here.
I don´t know what to do... I was a coward. I always run away from the real problems. Is not that I don't still don't feel. But I was not prepared for seing you. It has happened so many shit in my life since that time, that you cannot possibly imagine the mess that I am now. I'm a total wreck, broken into a thousand pieces, totaly destroyed inside...
Truth is, I'm affraid of getting into feelings... Not affraid of the usual crap, but scared to death from the real thing.

Or mabe, I'm just crazy, and this is only happening in my head.

Quinta-feira, Novembro 11, 2010

Klaxons - It's Not Over Yet

Ressaca

Ela tinha namorado. No final de contas, apenas mais uma ressaca...

Sexta-feira, Novembro 05, 2010

Quem disse que o amor não podia dar mais prazer que o sexo?

No final, ninguém ganha.

Reencontrei-me comigo próprio. Compreendi que as minhas intuições de mau prenúncio, desde o início estavam correctas. O meu único problema foi pensar que era imortal e não haveriam consequências.

Há pessoas que vêem tudo no sexo, procurando sorver e consumir como se não houvesse amanhã.

Mas aqui há consequências. Perdidos todos os limites, sabe-se que estes nunca serão recuperáveis, e a partir daí é uma escalada em direcção ao abismo da qua não há escapatória possível: estes indivíduos nunca olham para trás, nunca se questionam, nunca pensam, apenas olham em frente acelerando a fundo e afunilando cada vez mais os seus dogmas. O problema é que, depois de feito, não dá para voltar atrás. São opções, e nada será como antes.

Arrependo-me de lhes ter dispensado tanto do meu tempo e de ter duvidado do meu próprio pensamento.

Eles estão todos fodidos.

Os caminhos que fazem eu já os reneguei há muito. Mas estão convencidos que descobriram uma coisa nova, a fórmula mágica.




Ela deambula pelas ruas das grandes cidades, miserável... Fugindo dela própria, procurando pessoas que a irão tratar tal qual ou pior do que ela trata os outros.

Ele ainda anda iludido que é a grande estrela deste planeta, só porque, coitadinho, é um incompreendido, e a vida é dura para ele. Continua a disparar a mesma verborreia do costume, olhando para o umbigo 24 horas por dia, não fazendo nenhum.

Desprezo profundamente todo o egoísmo cego, só que agora simplesmente já não me faz diferença. Estou-me completamente a cagar para o chico-espertismo.

Ainda bem que aconteceu assim, porque até eu, agora, aporque ainda hoje não sei o que sinto em relação a isto tudo.

Lúcia foi à vida dela. Fez bem, merece ser feliz e não seria comigo.

Depois as bimbas que foram aparecendo... Ainda bem que realmente não me envolvi com nenhuma, porque andava carente e elas eram muito diferentes de mim. E sobrevivi sem foder amigas. Estou a mudar e já não quero ser como era. Venho de volta dada. Não quero mais atrofiadas fodidas do cérebro, sempre na ânsia de dominar, sem resolução nunca à vista...

Perdidas as esperanças, celibato forçado por desencantamento. Vivia nos dogmas rígidos que fazem do amor um mito, do qual se deve abdicar, racionalmente.


Revi Paula, uma colega minha de faculdade. Esperava há muito este reencontro, embora por questões de trabalho. Eu tinha sentido qualquer coisa por ela, mas depois de um ano sem a ver, pensava que já tinha passado. Ilusão. Acho que ela também. Emoções intensas. Eu não pensava voltar a sentir-me assim. Até então tinha-me inibido, por pensar que ela tinha namorado, e por que eu na altura tinha qualquer coisa esquisita. Mas graças ao facebook acho que não tem (uso cada vez menos). E se não arrisco com uma que gosto assim? Arriscar, como? Gostava de a ver mais vezes.., de passar mais tempo todo com ela.

Aqueles minutos provovam orgasmos serotonínicos. Quem precisa de drogas sentindo assim? E se fossem três horas? E uma noite? E muitas noites? E muitos noites e muitos dias? E enquanto apetecesse? Quem disse que o amor platónico não pode dar prazer?

Ontem não conseguia dormir nem fazer nada, só pensava nela, desde aí, e hoje só consegui adormecer (eram 10 horas). Estou sempre a pensar nela.., porque me sabe bem. Eu gostava que uma mulher destas, com inteligência emocional proporcional à beleza, se apaixonasse por mim. Adorava estar com ela, cagar para tudo e todos, e ir vivendo. Mas sei que a vida não funciona assim. Nunca pensei admitir uma coisa destas...

Domingo, Outubro 31, 2010

A Verdade é Amor - Vergílo Ferreira

A verdade é amor — escrevi um dia. Porque toda a relação com o mundo se funda na sensibilidade, como se aprendeu na infância e não mais se pôde esquecer. É esse equilíbrio interno que diz ao pintor que tal azul ou vermelho estão certos na composição de um quadro. É o mesmo equilíbrio indizível que ao filósofo impõe a verdade para a sua filosofia. Porque a filosofia é um excesso da arte. Ela acrescenta em razões ou explicações o que lhe impôs esse equilíbrio, resolvido noutros num poema, num quadro ou noutra forma de se ser artista. Assim o que exprime o nosso equilíbrio interior, gerado no impensável ou impensado de nós, é um sentimento estético, um modo de sermos em sensibilidade, antes de o sermos em. razão ou mesmo em inteligência. Porque só se entende o que se entende connosco, ou seja, como no amor, quando se está «feito um para o outro». Só entra em harmonia connosco o que o nosso equilíbrio consente. E só o consente, se o amar. Porque mesmo a verdade dos outros — a política, por exemplo — se temos improvavelmente de a reconhecer, reconhecemo-la talvez no ódio, que é a outra face do amor e se organiza ainda na sensibilidade.

Vergílio Ferreira, in "Pensar"

Desistir do amor

Podes ler Ovídeo, podes aprender todas as técnicas de engate do mundo, podes saber satisfazer uma mulher sexualmente (algumas há que sao atrofiadas e isso exigiria tempo), podes ser atraente, inteligente e culto, mas perante todo o caos e egoísmo deste mundo, perante tanta merda, simplesmente desistes de tudo e de todas. Há muito que tinha deixado de acreditar no amor, mas secretamente lá ia restando aquela esperança pelo menos no sexo, numa companheira compatível, ou mesmo só numa noite. Esquece. A semana passada, a única que cheguei a equacionar nos últimos tempos, via-a ir com um amigo meu, uma noite depois de eu ter conseguido conhecê-la. Afinal, sempre que isto acontece penso que é pelo melhor, que ela não seria aquilo que eu procuro. O problema é que nenhuma é. Depois disso decidi mesmo não criar expectativas em relação a ninguém, não me humilhar perante ninguém. Foi precisamente isso que aconteceu, voltei a desejar alguém e humilhei-me o mais possível para chegar ao mesmo resultado. Há uma lei que nunca falha. A mulher que eu queria não existe, e todas aquelas que encontro vão-me sempre decepcionar muito mais cedo do que as minhas piores expectativas. A única solução, mais do que esgotadas todas as outras, é desistir mesmo de tudo, de todas, e não me voltar a submeter, a humilhar. É desistir do amor.

Segunda-feira, Outubro 18, 2010

Que se foda

Perdido por cem, perdido por mil.
Não posso perder mais tempo, devo acabar isto e sair deste país.

As leis de Murphy

Na verdade, não a amava, mas sim à personagem que encarnava um ideal, o meu ideal.

Vive-se na falsidade. Más sensações, e a intuição faz-nos querer acabar com o pesadelo. No final, readquire-se a certeza do individual. Desaparece a instabilidade, mas não a ânsia permanente. Vamos sempre ouvir mentiras e não conseguimos confiar, mas temos de andar e calar. Pessoas infelizes usarão qualquer palavra como arma, atacar como defesa. Eles são a encarnação das leis de Murphy, e esse é o seu "estilo". Pode que ter a ver com adolescência. Adoptam-se linhas de comportamento. O neurótico constrói castelos no ar, o psicótico habita-os. Eu quero distância tanto duns como doutros.

A verdade cai como um terramoto. Pessoas usam outras como consumistas para terem mais poder e influência social. Perdidos os ideais, entra-se em paranóia, em espiral. Não se confia em ninguém. O filósofo adoece e morre de cancro fulminante, e sobra a culpa. O homem estava a morrer.

Depois do teorema do hipópotamo, o animal mais feio da terra, saí e tentei gozar a vida de forma independente. Passei algumas noites com uma arquitecta dominadora de serpentes, loura, hippie. Não falávamos muito. Já voltou para lá. Eu estava completamente fodido, mas algumas eram inesquecíveis e aquela fazia-me sentir como se tivesse 18 anos. Antes de ir embora estava grávida, mas fiz contas e meu não era.

Voltei a ver Lucia e a sair com ela durante um ano, formalmente. Conseguimos ser amigos e ainda nos desejávamos. Nada fora esquecido, mas ela escolheu o outro, não sem antes ficar em dúvida. Já muito antes tinha sido ..., mas nessa altura andava confuso. Conheci mulheres. Viajava patrocinado pelo alcool, e o verão foi inesquecível. Conheci duas com quem foi crescendo a química, mas foram à vida delas. Bebo e fumo desalmadamente, à noite saio. Escrevo, vejo séries, leio, mas tornou-se rotina. Quero viver em liberdade e aqui asfixiam-me.

Farto de tudo isto, farto de viver no passado, vou fazendo o trabalho de luto, uma nova etapa na minha vida, desistindo das fugas em frente, das soluções fáceis e da alienação total. Começo a preparar a minha vida para sair daqui. Dediquei-me ao trabalho, desisti de beber tanto e comecei a fazer desporto e a levar uma vida o mais reservada possível.
Estou farto. E cansado.

Já não quero amar, já não me consigo apaixonar, já não me lembro em que fase semi-inconscientemente deixei de alimentar a manhã que parece alimentar os outros.

Só pode amar uma criança, só pode acreditar quem quer ser embalado, só pode embarcar numa loucura quem não sonha abusivamente.

O trabalho não entusiasma, assusta, a vida é um inferno e eu moro no seu estômago .

Quero fugir e não posso, ainda.

Tudo é mentira e hipocrisia.

O passado persegue a certeza de que eu não o esqueço. O meu ódio não tem válvula de escape. Um filme dejá vu pois escreve sempre mesmo o guião que leva ao abismo.

Bebo, não me lembro de nada, parece simplesmente mais uma repetição da noite anterior. Acordo como se estivesse morto, e cada dia que deveria ser um milagre se parece com mais uma tortura.

Quarta-feira, Setembro 08, 2010

I saw you this summer

I still think of you. Lucky or not, I didn´t have to open my mouth, otherwise I woudn't know what to say or do. You were the same. Jus´t that glince was enough to make me happy.

Time changes people, and I wonder what has happened to you in these years. I always think everyone has builted a life but me, because I haven´t changed much, except in the part of loosing all faith and being more alone than ever.

I've ruined it all in the past, but in that last moment, I felt I have tryed everything I could. I mabe have seemed coward, but that last try gave me a sense of peace with my counsciessness. That´s why I have lost all my reason and called you. After that I coudn´t face you.

Of course I always thought I would find you again, but that didn´t happened at all. When I would go to the city, I thought that sooner or later we would cross, but never happened. You always knew where I was, I assume that if you have never looked for me it's because you didn't ever thought about me, because I would be easy to find. Even now I'm writing this assuming that you don't love him.

I have loved you, and I still do, I never forgot you even though I had no hope at all. If I think about all the girls I have found, I can say for sure that I never had that same feeling I had for you: this is love, this is the girl of my life, this is true love.

Time acts like a corrosion. Sometimes you loose all hopes, that's why I find hard to believe that you could still love me at all. If I could choose, I would stay wih you forever, but how? What can we do? What can I do? I write this, and I think this is a paranoia and that I'm writing to myself, and no one reads this. After that message I have sent you, I felt terribly ashamed, unable to connect again.

But I still love you, and if you still love, please help us! Do something so we could find a way to stablish contact and be together, that would be just perfect... The question is how? How to reach paradise? I don't have the strenght after failling twice with you...

We are too alike. We should do something or this could be the last oportunity ever.

Terça-feira, Setembro 07, 2010

Nostalgia

I still think of you, certanly. When I saw you, I got scared, I couldn't face you, my heart started to bump seeming like it was about to explode. Lucky or not, I didn´t have to open my mouth, otherwise I woudn't know what to say or do. You were the same. Jus´t that glince was enough to make me happy.

First thought was that you were with him. I was almoust sure you two were a couple or married or I don´t know what. Time changes people, and I wonder what has happened to you in these years. I always think everyone has builted a life but me, because I haven´t changed much, except in the part of loosing all faith and being more alone than ever.

I've ruined it all in the past, but in that last moment, I felt I have tryed everything I could. It mabe seem coward, but that last try gave me a sense of peace with my counsciessness. That´s why I have lost all my reason and called you. After that I coudn´t face you, with shame.

Of course I always thought I would find you again, but that didn´t happened at all. When I would go to the city, I thought that sooner or later we would cross, but never happened. You always knew where I was, I assume that if you have never looked for me it's because you didn't ever thought about me, because I would be easy to find. Even now I'm writing this assuming that those words could never be about me, and these sentences are just for me to feel at ease with my bad counsciessness.

I have loved you, and I still do, I never forgot you even though I had no hope at all. If I think about all the girls I have found, I can say for sure that I never had that same feeling I had for you: this is love at first sight, this is the girl of my life, this is true love.

Time acts like a corrosion. Sometimes you loose all hopes, that's why I find hard to believe that you could still remember me at all. If I could choose, I would stay wih you forever, but how? What can we do? What can I do? I write this, and I think this is a paranoia and that I'm writing to myself, no one reads this. After the message that I have sent you, I felt terribly ashame, unable of trying to connect again.

But I still love you, and if you still love, please help! Do something so we could find a way to stablish contact and be together, that would be just perfect... The question is how? How to reach paradise now? I don't have the strenght after failling twice with you...

We are too alike. We should do something or this could be the last oportunity.

Quarta-feira, Agosto 25, 2010

Im still enloved with you

Quarta-feira, Agosto 18, 2010

The Metamorphosis

Today is a decisive day. Today is the day I realised I have no friends in the world, not even one. Today is the day i know for sure that I'm definitly alone through eternity. Everyone is now erased. I will stay closed to people, from now on. And this is the only way possible to survive.

Today is the first day from the rest of my life.

Domingo, Agosto 15, 2010

We could have it so much better

We could have it so much better. I realy think we could be happy. I think about us a lot of times, and I dream about it. I think my early engagement went wrong because I had the permanent feeling that I belonged with her. But she thought otherwise. She didn't even tryied, without betraying us with the other. But she woudn't will to spend days with the one she realy loved, and the one who loved her. He could make her so much happyer, more than he could do in a all life. We could have it so much better.

Sexta-feira, Agosto 13, 2010

Agony

The world is killing itself, like always but with a faster rithym and light speed . My mind is killing me. No love, just endless corrosion caused by the agony. Agony. Agony. Agony. I keep trying to escape the terrible agony, fighting against time. Even the music has changed. Some of the good bands broke up, others got old or burgeoise, some of the great writers are dead. I´m a zombie, life keeps running away.

Sexta-feira, Julho 23, 2010

Boleia, nacional 1, anoitecer, sorte, plano, rapidez, Aveiro, carro, a amiga da outra, madrugada, NL, bebedeira, cama.

A aventura.

Sentir vivo.