sábado, novembro 29, 2014

Lhasa De Sela - El Desierto

Não há ninguém como tu

Não há nada neste mundo que quisesse mais do que estar contigo. Desistiria de tudo de bom grado, faria o que fosse preciso para ficar junto de ti, para sempre. A minha vida sem ti não faz sentido. Vou-te amar até ao fim dos meus dias, nunca te vou esquecer.


terça-feira, novembro 25, 2014

Martírio

Não consigo, é um martírio. Não consigo esquecer. Quanto mais tempo é preciso? Conhecer alguém? Venha ela rápido! Não aguento isto. Deito-me a pensar. Acordo a sonhar com ela. Hoje sonhei uma vez mais. Entro num quarto onde ela está sozinha. Não estamos juntos há anos. Ela não diz nada. Chego ao pé dela. Está vestida com um vestido preto de verão a olhar-se ao espelho. Ela sabe que eu estou ao seu lado. Olha para o chão. Não diz nada nem resiste. Sinto que ainda me ama. Parece que nem um dia passou. Sente-se o éter carregado de electricidade estática. Acerco-me dela e toco-lhe o ombro. Nem uma palavra. Abraço-a. Não resiste. Esforça-se por não chorar no meu peito. Beijo-a. Fazemos amor. Digo-lhe que não podemos viver assim, que temos de largar tudo para estarmos juntos. Nada responde. No final, digo-lhe que tenho de sair mas que vou voltar, para esperar por mim e não sair dali. Quando volto já não está. Estará novamente com o namorado, de volta á vida de merda que escolheu. Não quis esperar por mim, não quis largar tudo para ficar comigo. Toca o despertador. São horas de ir trabalhar.

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?


"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência.

 O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. É preciso aceitar esta mágoa esta moínha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo.

É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.

Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar".

 Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

quarta-feira, novembro 12, 2014

Chico Buarque - Pedaço de Mim (1978)




Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Jorge Palma - Valsa de um homem carente

terça-feira, novembro 11, 2014

Chico Buarque - Eu Te Amo


Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

Um dia miserável

Tento, continuo a tentar, penso fazer tudo da melhor forma possível, só que depois nada corre nunca de acordo com o planeado. Foi um dia muito triste, uma dia surreal, um dia miserável. Foram anos desperdiçados, o amor perdido para sempre. Sem volta a dar. Nunca pensei que a minha vida pudesse ser tão má, nem nas minhas piores previsões. Sofro tanto, mas tanto, que cada dia é um sacrifício imenso só para tentar chegar ao fim. Depois vem a noite, a culpa, o remorso, as voltas na cama, a tormenta. Apetece-me chorar e nada sai. Estou a morrer aos poucos a cada dia que passa. Às vezes penso se não seria melhor acelerar o processo. A minha vida não faz sentido. Sou muito para lá de infeliz e já não há tempo para o destino me trazer aquilo com que sempre sonhei. Há que admitir a derrota. Mas a ansiedade... Não aguento a dor da ansiedade... Quanto tempo falta?




Elvis Presley - Always On My Mind

quarta-feira, novembro 05, 2014

Gaiolas Douradas