segunda-feira, janeiro 17, 2005

Inverno

A paranóia já passou... Afinal, ninguém deu por ela, e isso parece ser o suficiente para continuar. Inventei cenários surreais que procuram ser apenas ficção, equívocos. Assim, este anonimato justifica a acomodação assimilada. Talvez por isso, continuo a escrever. Mas já não tenho a confidencialidade plenamente garantida. Precisaria disso. Se ao menos tivesse essa certeza, já seria pelo menos, um passo em frente... E o pior é que não quero deixar de aqui existir definitivamente, pelo menos para já. E se apenas eu narccísicamente existo, porquê esta sensação de coexistência? Um dia desaparecerei, para sempre, com alívio. O único problema parece ser o arbítrio. Decido apenas não decidir nada, à deriva de uma neutralidade alheia ao exterior em geral...


O princípio do ano deixa-me deprimido. Não sei se é isso, ou se é o facto de estar a chegar aos trinta. Há quem fale de crises de meia idade e essas coisa. Eu tenho crises, é verdade, mas não sei se lhes chamaria isso. São isso sim, crises de sociedade. Deve ser do Inverno, já que parece surgir todos os anos por esta altura. Não me parece que os meus problemas tenham a ver com personalidade, identidade ou qualquer dessas dúvidas em relação a mim próprio. Não é qualquer espécie de frustração, porque não se pode sair derrotado quando não se tem esperança de ganhar, e quando se sabe que nada há para ganhar. Depois de inúmeras tentativas, por muito abstractas que possam parecer, apenas me faço acompanhar de um existencialismo realista, no final. Sóbrio, o tempo todo. Existir, por si só.., isso parece ser suficiente. As coisas reais, quotidianas, como os objectos e os objectivos, parecem pefeitamente alcançáveis, pois tenho em consideração apenas, os que não dependem de ninguém, senão exclusivamente de mim. Não há circunstância nenhuma exterior, que neste momento me pudesse acrescentar qualquer coisa de positivo. Muito pelo contrário. A esperança, não existe. Pode ser que desapareça, ou apareça, ou surja outra situação qualquer. E só resta mesmo apagar as sombras da esperança, para me poder realizar plenamente... Sem ânsias nem deseperos, vivo alheio a tudo e todos, únicamente em função do facto concreto. E isto poderá significar ser-se feliz, pois tudo existe (em nós próprios) e nada se perdeu. Só o existir é real. Tudo o resto se evapora, se ignora.., desaparece... No final, permanece o eu. Sozinho, natural, na sua forma pura.., um nada que é tudo, no fundo.


2 Comentários:

Blogger (V)ar!n@ disse...

Ás vezes eu me sinto angustiada, sem saber a razão de estar aqui, sem entender os porquês da vida... e em alguns momentos, bem no meio da noite, caminho pela casa, contemplo o céu e sinto que somos só nós, eu e o universo todo, um imenso vazio, sem lembrar que a mesma Lua que me fascina paira também sob a cabeça de tantos outros solitários. Enfim, "estamos no mesmo barco, sob a mesma lua, estamos no mesmo barco e ele ainda flutua"... (Engenheiros do Hawai - Mapas do acaso)

segunda jan 17, 04:36:00 da manhã 2005  
Blogger (V)ar!n@ disse...

Ás vezes eu me sinto angustiada, sem saber a razão de estar aqui, sem entender os porquês da vida... e em alguns momentos, bem no meio da noite, caminho pela casa, contemplo o céu e sinto que somos só nós, eu e o universo todo, um imenso vazio, sem lembrar que a mesma Lua que me fascina paira também sob a cabeça de tantos outros solitários. Enfim, "estamos no mesmo barco, sob a mesma lua, estamos no mesmo barco e ele ainda flutua"... (Engenheiros do Hawai - Mapas do acaso)

segunda jan 17, 04:39:00 da manhã 2005  

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