terça-feira, fevereiro 20, 2007

DESTILO ÓDIO
[Adolfo Luxúria Canibal - Zé dos Eclipses / Mão Morta]

Odeio o teu esqueleto ciumento
E os seus ornamentos de suicida

Destilo ódio!

Odeio as tuas tesouras perversas.

Destilo ódio!

Odeio a colecção de animais embalsamados
Que escondes nas gavetas do teu quarto.

Destilo ódio!

Odeio essas peçonhentas mãos de bruxa
E a obscenidade das tuas unhas.

Destilo ódio!

Odeio-te amuleto maligno que me intoxicas os sonhos
Com esse hálito pérfido que até o metal corrompe.

Destilo ódio!

Odeio-te barca sonâmbula.

Destilo ódio!

Odeio-te farol esclerosado
Onde a luz cresce mutilada.

Destilo ódio!

Odeio-te morte mansa
Que forras de veludo as paredes desta alcova.

Destilo ódio!

Odeio-te maldita celerada.


1 Comentários:

Blogger vanus disse...

sabes como é encher a cabeça; tudo passa, tudo se ultrapassa. passado um tempo sobra-nos o corpo, é o único sítio onde sentimos ferida. tendemos a enchê-lo da mesma forma, com o mesmo vício, com o mesmo engano. passando um tempo não existe abraço onde caibamos.

quarta fev 21, 12:50:00 da tarde 2007  

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial