terça-feira, julho 01, 2014

A bênção do destino

Eu nem gostava dela no início, não era o meu tipo de gaja, não tinha vida, não tinha energia, faltava-lhe  o sangue na guelra, e não só na guelra. Ainda mais na última fase, adormecida por anti-depressivos. Só me arrependo de lhe ter pedido o dinheiro, aquela merda daquele dinheiro. Eu nem o queria, foi só por vingança. Se ela e ele se iam aproveitar do trabalho do meu suor, era o mínimo de dignidade do vencido não deixá-la ficar com tudo. Mas agora arrependo-me, queria devolvê-lo sem ter de vê-la, mas não tenho o número de conta nem a morada. Não quero vê-la, não posso mais olhar para aquela cara. Mete-me nojo. Um dia desdobrou-se em mil justificações porque não queria que eu fosse pensar que ela era uma puta. Também nunca pensei que o fosse achar. Mas aconteceu. Uma mulher que casa com um gajo que não ama pelo dinheiro dos pais dele é o quê? Não vale a pena remoer neste assunto de merda. Só queria ter devolvido a merda do dinheiro para não ter que pensar nisto e ter a minha consciência 100 por cento tranquila. Quando? Quando é que eu vou conhecer uma mulher a sério que me mereça, deixar de remoer nas tragédias do passado, e ser feliz? E olhar para estes factos dolorosos como uma bênção do destino?

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