segunda-feira, abril 11, 2005

Hoje estive a pensar. Não que eu não pense às vezes, mas hoje arranjei formas muito concentradas que me deixaram a fazê-lo de forma especial. E cheguei a várias conclusões. A primeira é óbvia. Pensei muito nela. Desejei tanto mergulhar e descobrir as profundezas do seu pensamento, que quase me afastei da própria noção de realidade…

Até aqui nada de novo. A outra conclusão que tirei é a de que fui extremamente egoísta, por não conseguir perceber que ao demonstrar isso estava na verdade a fazer-lhe mal e a magoá-la. Compreendo agora que não o deveria ter feito. Não só arruinei todo um passado, como trouxe mais confusão ao presente, e inviabilizei completamente qualquer natural gesto futuro A única conclusão que aceito é a de que devo agora libertá-la, deixá-la partir livremente... Esquecer. Não a quero continuar a senti-la pensar. Cada segundo que pudesse dedicar a isto, seria como um ano de inqualificável dor para mim... Não fiz por mal, mas acabei por arrastá-la nesta brincadeira estúpida e sem sentido. Quero que apague esta sensação amarga da minha presença. Não teve qualquer culpa neste processo. Foi irremediavelmente arrastada, e ainda assim conseguiu resistir estoicamente! Estava lá e nada mais podias fazer, senão assistir imóvel aquela dança destrutiva. Espero que se levante, e siga o seu caminho. O palco já não abana. O espectáculo terminou finalmente. As luzes ainda não acenderam. É a altura ideal para ela abandonar a sala. Espero que não pense muito no que aconteceu. O bailado é sempre um exercício abstracto, uma manifestação livre da alma, e a qual não é
possível descrever analiticamente...

Revi-me um dia assim num sonho, e fui inconscientemente estúpido ao ponto de querer descrevê-lo de forma pormenorizada. Quando se é criança, não se compreende o fenómeno dos sonhos. Não vale a pena dar-lhe tamanha importância, nem procurar significados. É apenas um sonho e pronto. Na próxima noite sabemos de antemão que iremos ter outro, diferente, e pronto. Não vale a pena dissecá-los um a um, nem tentar compreendê-los. Não está ao nosso alcance controlá-los. Nem explicá-los, nem descrevê-los. São apenas sonhos, é só isso. Foi apenas mais um sonho, do qual acordei agora, e como já não sou nenhuma criança sei perfeitamente que os sonhos são inexplicáveis. Voltarei a adormecer, e a sonhar, e a acordar de novo, e depois a adormecer.,, Tal como ela, e todos os seres deste mundo.

É claro que há sonhos particularmente agradáveis... Mas não consigo nunca associar os cenários surreais dos sonhos a qualquer realidade que conheça. É um exercício perigoso para o qual não existe comparação possível. Penso que nunca deveria ter escrito estes rabiscos. Estes eram apenas descrições de sonhos. E o meu maior problema, era não aceitar o facto de ter perdido o controlo ao longo do processo... Por isso fui vivendo com este pesar. Mas recuperei-me. E ela? Ela tem um mundo de possibilidades infinitas à sua escolha. Tantos e tantos sonhos, tantas e tantas mais noites para sonhar... É só libertar o subconsciente. Mas cuidado, não vá logo contar a alguém.

Porque se algum dia tiver a sensação que acaba de ter o sonho mais lindo da sua vida, não precisa dizer nada. Nesse dia as pessoas olharão para ela, e compreenderão que está a sonhá-lo naquele preciso momento.

E será ele, o sorriso mais próximo, o primeiro a compreendê-lo…

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial