sábado, fevereiro 11, 2006

Tinhas razão. A tua intuição estava certa. Havia de facto outra. Enganaste-te contudo se pensavas que eu te tinha esquecido ao longo do processo, que tinha preenchido o teu espaço com outra pessoa. Enganaste-te tu, e enganei-me eu ao pensar que te conseguiria esquecer com o tempo, ou com outra pessoa. Acabei também por enganar outra pessoa, por pensar que tal sucederia, mas a verdade é que acreditei que com o tempo seria possível. A verdade é que aquilo que me transmitias ficou sempre por preencher, e acabaste por ir ficando como uma obssessao que no fundo nunca deixou o cenário da prioridade. É engraçado que passado este tempo todo nunca voltei a conseguir sentir o que senti por ti, por aquela outra, e mais tarde por ti novamente. Tive alturas em que estive perto. Mas depois ficava infinitamente mais longe. Bastava-me conhecer um pouco mais da maturidade da pessoa em causa para desfazer o equívoco, e perceber que pertencíamos a mundos completamente diferentes. E fazer comparações e terrível...
E fi-lo também por vingança, por desespero, e por carência. Por vingança porque me tinhas deixado lá sozinho, porque sozinha tinhas decidido que não me darias a possibilidade de uma aproximação física, quanto mais contacto. Porque depois de eu me ter declarado, me deixaste a falar sozinho. Porque depois de me teres dado as mãos, desapareceste para sempre. Desesperado porque me vi sozinho no meio do nada, humilhado, abandonado e sem ninguém. É a solidão que me corrói, que me leva para o abismo da loucura. E carente. Sempre soubeste que por tras deste desajeitado e grosseirão estava algúem profundamente triste, magoado e sem esperança. E tu fizeste com que eu deixasse de acreditar. Tal como hoje me culpam a mim de ter feito deixar alguém de acreditar...
E depois a velha história. Os ciúmes. Foi por isso que desisti de ti. Foi por isso que sempre estiveste de pé-atrás, porque tu própria sempre estiveste reservada para outra pessoa. E eu no fundo sempre soube disso. Sempre soube que não estava no topo da tua escala de prioridades, e provávelmente nunca fui sequer por ti comparável aos primeiros, ou neste caso ao primeiro. Não lhe posso chamar desonestidade porque sempre o soube, porque sempre soube que essa era a causa da tua retracção. Tu estavas-te a guardar para alguém. Alguém que sempre esteve, está e estará mais próximo de ti. Foi essa a minha racionalização. Senão nem te contaria isto, sabendo de antemão da tua obssessão pela moral e pela "devossao". O homem da tua vida é o teu eterno guarda-costas, e é essa a minha frustração quando dou por mim a vir aqui aqui escrever, e humilhar me. Tenho sempre a sensação que nada do que aqui escrevo seria lido por ti, mas por duas pessoas em conjunto, rindo à gargalhada. Foi por tudo isto que te quis esquecer. É por tudo isto que já te deveria ter esquecido...

Sei também que neste preciso momento estás com ele, que foi ele quem sempre amaste.
E sem qualquer sarcasmo ou ironia que digo que os dois serão felizes, e que e isso sinceramente que desejo... Tudo o resto e um mero exercicio de auto exorcisacao da minha parte.

mas continuo a achar que um simples esclarecimento sincero da tua parte teria bastado para evitar tudo isto

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial