segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Tenho uma doença grave. Uma ferida cá dentro. Não uma ferida superficial, daquelas surgem e desaparecem ao fim de algum tempo. É uma espécie de hemorragia interna. Uma espécie de doença crónica, permanente. Uma ferida que arde. Um ardor que não vê, que não se revela, que não se deixa detectar por nenhum exame médico. Uma dor aguda, que reaparece constantemente. Sinto-a dentro de mim. De cada vez que me mexo, de cada vez que respiro, de cada vez que falo… Dói-me. Sempre que me debruço, sempre que me vergo, sempre que me deito virado para o lado esquerdo, sempre que acordo com o ombro adormecido… Tem origem no peito, no tórax. Sinto-a depois percorrer todo corpo, como um arrepio de calor, como um formigueiro paralisante. Uma sensação amarga. O organismo, tenta a custo minorar os estragos. As descargas eléctricas vão assegurando a libertação das endomorfinas, de forma a assegurar o equilíbrio possível entre as intermitentes dores lancinantes com extasiantes sensações de prazer momentâneas. Médicamento inútil, que não trata, só adia... O médico mente. Diz que não tenho nada. Não parece conseguir diagnosticá-lo. Não parece querer tratá-lo. Limita-se a dizer que não há nada a fazer…

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