sexta-feira, fevereiro 25, 2005


Ela de facto conhecia-o demasiado bem, ao ponto de conseguir imaginar que ele iria perder o controlo e tentar contactá-la...
Ele conhecia-la demasiado bem para saber que aquilo não era fruto do acaso, que se tinha desligado propositadamente.

Durante dias, deixou-se arrastar para um estado permanente de ânsia e loucura.
O seu instinto desesperado tomava conta do seu corpo à deriva,
perdido enquanto calcorreava decadentemente as ruas
até por fim desistir e dar por si num beco sem saída.

No dia em que os acasos se cruzaram para desafiar as leis da física,
e que uma simples conversa hipócrita e normal
teria feito um desvio de 180º na previsibilidade das coisas,
entregou-se a loucura à outra parte,
e fugiu-se para não se ser julgado.

Fingir-se não seria mais fácil?
Seriam assim tão maus actores?
Não arriscavam nem um improviso
num papel mais que ensaiado?

Faltou tão pouco....
A inibição deles foram as cartas.
As mesmas que os conseguiram salvar no último suspiro,
obrigavam-nos agora a esconderem-se um do outro.

Queimem-se essas cartas, para que se possam finalmente revelar um ao outro!
Tudo o que quereriam escrever, passassem agora a guardar.
E um dia, quebre-se o muro, e festeje-se infinitamente a liberdade...



Ela é calma, pragmática e calculista. Ele é nervoso, idealista e impulsivo.
Ele não consegue nem procura esquecer. Ela tem medo do que possa acontecer.
As faces opostas que anseiam o preciso meio termo queas faria fundir,
vidas que são como puzzles inacabados, onde faltam peças fundamentais
que não se sabe se algum dia se irão descobrir..

Continua fazer de conta que tudo isto irá mesmo acontecer.
Talvez seja mesmo doente. Talvez um dia alguém o consiga tratar.
Até lá esconde-se num silêncio estratégico e cobarde
até que possa surgir surgir naturalmente nesse dia...

Que talvez surja amanhã.
Que talvez não chegue nunca.

Vitória não será chegar.
Sentia-se bem por não se ter deixado partir.

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