sábado, fevereiro 15, 2014

Solidão

Nunca como hoje, a solidão corrói-me. A dor destrói cada segundo da minha existência. Em tudo falhei, e no mais importante, no amor. O desgosto provoca-me este desespero permanente. Fico sozinho no quarto e só me apetece chorar. Mas nunca sai nenhuma lágrima. Faço uma vida triste, monótona, depressiva. Não tenho amigos. Não falo com ninguém. Só vejo morte à minha volta. Os meus cabelos vão ficando brancos. Começo a compreender o desejo de suicídio. Eu, que sempre fui contra, que sempre dizia o quão estúpidas eram essas pessoas, começo a perceber o ponto a que chegam quando o fazem. Rendo-me a Camus. A esperança de melhores dias esvaneceu-se. Cada última tentativa é um tiro de pólvora seca que só serve para me deixar ainda mais abatido. Já não tenho forças. O grande amor, aquela que era a minha mais bela história de amor virou-me as costas e abandonou-me em definitivo à primeira dificuldade. Trata-me como se tivesse a peste, deixou-me a falar sozinho, não quis mais saber de mim. Ninguém me ama, ninguém pensa em mim, ninguém se lembra que eu existo. Se eu morresse no quarto, ninguém notaria. Seria descoberto apenas quando o cadáver cheirasse mal. Resta-me apenas mais e mais sofrimento, o sentimento de insignificância, e continuar a apodrecer na mais profunda solidão e angústia. Já nada nem ninguém me faz sonhar.

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