quarta-feira, janeiro 08, 2014

O homem mais solitário do mundo

Sou o homem mais solitário do mundo. Não tenho ninguém, não posso contar com ninguém, não ocupo um milésimo do pensamento de ninguém. Nenhuma mulher pensa em mim, ninguém me vê, sou transparente, aos olhos dos outros já morri, ou nunca cheguei a nascer. Quando eu morrer ninguém verterá uma lágrima por mim.

Cada dia procuro desesperadamente um nova ilusão, algo a que me possa agarrar, algo com que possa sonhar. Que parece desvanecer-se cada vez mais rápidamente. Tento conhecer uma mulher, iludir-me e tentar mostrar-lhe essa ilusão, ela nem chega a perceber, e no dia seguinte ela passa com outro. Depois, são cada vez mais raras as ilusões, duram cada vez menos tempo, e os deslumbramentos são cada vez mais trágicos e suicidários, arrastam consigo os últimos resquícios de vida que tinha conseguido miraculosamente acumular. Depois é a noite escura, infinita, prolongada, de gelo glaciar, permanente, à qual não consigo escapar por mais que tente, que me paralisa ininterruptamente naquele limiar entre a lágrima que sempre está à porta sem nunca chegar a sair, naquele grito de revolta universal que nunca se chegou a poder dar e, frustrado, se transfere para os murros surdos no colchão.

Solidão, dor, desilusões e desesperança infinitas. Isto é morrer lentamente, até ao dia em a dor será tanta que não se conseguirá esperar mais...

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